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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O que é Traçar uma linha de FUGA para Gilles Deleuze

O que é Traçar uma linha de FUGA para Gilles Deleuze.

“Tudo vive num fluxo continuo na terra; nela nada conserva uma forma constante e definitiva”.
(Rousseau, Os devaneios do caminhante Solitário)


Indivíduos preenchidos por Hábitos, signos, uma moral. O devir Macho-Branco-heterossexual. O mundo tem suas singularidades Jeito, traço, o inconsciente e toda a irracionalidade humana. Aglomerados de forças que se singularizam, uma vida, Conceitos criados outros re-trabalhados por Gilles Deleuze, portanto este artigo tem o objetivo esclarecer o sobre o que fala quando se diz: -Devemos traçar uma linha de Fuga; Pois não se faz só assim, não se afirma:- eu sou assim! Unir corpo e terra e experimentar, Devir.Colocar há possibilidade em cheque, todas elas, ser capaz de sair de seu Habitar, não estabelecer pontos fixos a sim colocar em uma distribuição nômade que recorrem Acontecimentos múltiplos, o mundo esta em Fluxo/Virtual.
Uma e todas as chances de agir, fazer, construir, criticar, ajudar, chorar a melhor orientação sobre Aoin. Nos afirma com simpatia.

“È sempre sobre uma linha de fuga que se cria, não é claro, porque se imagina ou se sonha, mas ao contrario, porque se traça algo real, compõe-se um plano de consistência. Fugir, mais fugindo, procurar uma arma”.Diálogos, pg 158.

Trair assim diria o filosofo, pois se estamos na terra com pouco ou nenhuma certeza da especificidade Humana, ou seja, toda a orientação para a vida é fazer fugir, não escapar, mas vazar, enfrentar, Trair é criar Trapacear estabelecer territórios. Estabelecer parâmetros para uma vida que levem em conta sentir o presente, os instantes furta-se ao território, ver e se fazer parte do processo das vibrações e tensões que envolvem os corpos.
Deleuze e Guattari fundaram no ocidente uma nova noção de Ontologia; ou pelo menos fazer a filosofia Vazar para escapar não, virar uma redundância., O que é pensar? Afinal entre Vida e Conceitos. Há lacunas, contra-senso, paradoxo a filosofia deve abarcar seus problemas entre,buscar a sua gagueira.

Traçar um linha de fuga:
Na tentativa Deleuziana de explicar a dinâmica do existir, este passa pela Vida e toda sua carga de desejo/ódio, medo/alegria, travestis/drogados. Afinal entre os acontecimentos Deleuze aponta para uma lógica interna entre as misturas de força pontos Singulares:INTENSIDADE
Entre partículas perceptíveis Atual/Virtual, o homem vive sobre o Sol. Uma vida, por sua vez uma metamorfose acontece sobre a superfície, o lugar onde habita os sentidos, “O mais profundo é a pele”. Ao buscar superar a forma e a tarefa da filosofia Deleuze ao lado de vários filósofos e escritores, leva a própria filosofia a seu re-encontro Questões/ Problemas em que pontos das teorias , hipótese, explicações , sobre a vida colocaram um pre suposto para conseguir algo sobre a vida, Deleuze parte da vida na vida , e esta é as nossas armas, não haverá redenção, premio, pódio no final de cada ação humana, no entanto na terra devemos buscar o que ?
Superar o Conceito platônico de Simulacro, O Sujeito Cartesiano, o Nada de Heidegger, estar ai esta; é a condição, só se é forçado a pensar. Só se pode pensar Diferente. "Mas por que este desfile lúgubre de corpos costurados, vitrificados, catatonizados, aspirados, posto que o CsO é também pleno de alegria, de êxtase, de dança? Então, por que estes exemplos? Por que é necessário passar por eles? Corpos esvaziados em lugar de plenos. Que aconteceu? Você agiu com a prudência necessária? Não digo sabedoria, mas prudência como dose, como regra imanente à experimentação: injeções de prudência. Muitos são derrotados nesta batalha. Será tão triste e perigoso não mais suportar os olhos para ver, os pulmões para respirar, a boca para engolir, a língua para falar, o cérebro para pensar, o ânus e a laringe, a cabeça e as pernas? Por que não caminhar com a cabeça, cantar com o sinus, ver com a pele, respirar com o ventre, Coisa simples, Entidade, Corpo pleno, Viagem imóvel, Anorexia, Visão cutânea, Yoga, Krishna, Love, Experimentação. Onde a psicanálise diz: Pare, reencontre o seu eu, seria preciso dizer: vamos mais longe, não encontramos ainda nosso CsO, não desfizemos ainda suficientemente nosso eu. Substituir a anamnese pelo esquecimento, a interpretação pela experimentação. Encontre seu corpo sem órgãos, saiba fazê-lo, é uma questão de vida ou de morte, de juventude e de velhice, de tristeza e de alegria. É aí que tudo se decide"
Mil platôs - capitalismo c esquizofrenia, vol. 3 / Gilles v.3 Deleuze, Félix Guattari; tradução de Aurélio Guerra Neto et alii. — Rio de Janeiro : Ed. 34, 1996 (Coleção TRANS)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Etimologia de Socialismo.

Socialismo teoria social baseada sobre a igualdade de direito ao trabalho e ao lucro do trabalho. Todos os bens produtivos ( a terra, os edifícios, as maquinas, as fabricas) devem passar ao domínio inaliável da sociedade. Todos os privilégios devem ser abolidos para que se obtenha a mais completa igualdade possível, Do Frances socialisme, do latim Socialismus, de Social+Ismo. (Grande dicionário etimológico-Prosódico da língua portuguesa pg:3791 )


Palavra , conceito tem sua origem no radical Sócio cuja transcrição corresponde: Associado, companheiro, Aliado, XII Do latim. , Associação em 1844 do Frances association; A ssociar, agregar , unir, reunir, XVI. Do latim Associare; consociação XX. Do latim consociatio-onis, consciar verbo, associar XVIII. Do Latim consociare; consocio XVI, do latim, consocius; des-a -ssociar em 1881; dissociabil.idade, em 1881; dissociação 1858, do Frances dissociation, derivado do latim, dis-sociare; dissociável XVIII, do Frances dissociable, deriva do latim, dissociabilis. Insociabel-idade 1858, adaptado do Frances insociabilité , insocial, 1844 da latim, tradução Insocialis, insociável 1844, do Frances, insociable, derivado do latim , in-sociabilis –e; Sociabil-idade 1813. adaptado do Frances Sociabilité, Sociabil-izar, 1881 , social XVI Do latim socialis-e, Social-ismo, do Frances Socialisme.

Em fim o registro histórico desta palavra no dicionário etimológico Nova Fronteira de língua portuguesa , onde esta é cunhada no período moderno,Já em Lalande, pagina 1290 cito um parte; “ fui eu o primeiro a servir –me da palavra socialismo. Tratava-se de um neologismo nessa altura, um neologismo necessário: forjei esta palavra em oposição a Individualismo, que começava a circular. Isto há cerca de vinte cinco anos atrás” diz Pierre Leuroux , reclama a paternidade desta palavra, que não foi este que de fato o fez, segundo estudioso este teórico não passava de um entre vários saint-saimomianos, que entre os homens da época precisaram do neologismo. Mas com efeito esta pavra foi usada ante de Pierre Leuroux, ele não a forjou foi o primeiro a usar e explicara esta palavra sistematicamente

quarta-feira, 24 de junho de 2009

A NOÇÃO DE “EMPIRISMO TRANSCENDENTAL” NA ONTOLOGIA DE GILLES DELEUZE

Ernani Augusto de Andrade PUC-PR
Orientador: Eladio Constantino Pablo Craia

O presente trabalho tem como objetivo abordar o problema do campo transcendental e sua perspectiva ontológica em Gilles Deleuze. Desde que Nietzsche o declarou pela primeira vez, importantes segmentos da filosofia do século XX afirmam que é necessário superar certas noções centrais da tradição filosófica, como são as de fundamento, identidade, substância, sujeito, oposição dialética, e ate o conceito de nada. Neste campo reflexivo se constitui a filosofia de Gilles Deleuze, a partir de suas teses ontológicas organizadas em torno dos conceitos de Diferença, Univocidade do Ser, entre outros. Podemos reconhecer que certa historia da metafísica procurou o fundamento, isto é, pensar um Ser que opere como princípio que ordena, organiza e orienta a dinâmica do existente. Em oposição a esta perspectiva, o Ser é para Deleuze pura diferença que se expressa ontologicamente num só sentido e numa só voz, aquilo que o autor francês chama de “univocidade”. Este conceito é retomado por Deleuze a partir de Duns Scot, Espinosa e Nietzsche. A busca de Deleuze em Lógica do Sentido consiste em mostrar como pode ser possível que o sentido do Ser se expresse como diferença. Assim, se pode apontar aquilo que de fato gira em torno do campo transcendental e o empirismo, segundo este é reinterpretado por Deleuze, enquanto conceitos que problematizam a questão do devir e a diferença. A articulação do campo transcendental serve ao estofo ontológico para esta problemática, assim, é possível determinar um campo transcendental impessoal, pré-individual que não se parece com os campos empíricos correspondentes e que não se confunde com uma profundidade indiferenciada. Por outro lado, este eu pré-individual supera a negatividade e a sua eventual oposição dialética. O transcendental não corresponde a um campo empírico, nem a uma consciência, ele é uma multiplicidade em permanente devir.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

ERA DOS IMPÉRIOS


A era dos impérios

         O texto do historiador Hobsbawn, Eric(1917-2012). A Era dos impérios, recorta uma transição que gera acontecimentos como disputas de terras, controle econômico,da terra oriundo das ideais de uma classe, os burgueses:


“A Era dos Impérios (original em inglês: The Age of Empire: 1875-1914) é um livro de autoria do historiador e cientista social inglês Eric Hobsbawm. No seu livro problematiza o período 1875-1914, marcado segundo o autor pela predominância de grandes potências imperiais ou colonialistas"(http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Era_dos_Imp%C3%A9rios)


          A economia está no progresso capitalista e os “Atrasados”(Africa, América Latina, Asia,Oriente), devem seguir tal avanço; período de 1875 à 1914. A era do impérios não somente pela prática do imperialismo, Dominar um território estrangeiro, de forma MILITAR/POLITICO/ECONOMICA , EXPLORAR sua matéria prima. Período da história da Europa , com maior numero de estados/Países, com governantes se auto-denominado Imperadores.
       
          Imperadores com características de um império colonial, explora terra , mão-de-obra e matéria-prima, ou seja as colonias são as responsáveis pelo avanço do império , estes fazem a manutenção do território conquistado com expedições militares( Oriente médio) e intervenções politicas ( Iraque ) economias ( bloqueio á cuba).

          O mundo exceto Europa e América do Norte,Japão,foi formalmente repartido entre essas potencias, estas colonias sofrerem intervenções politicas, econômicas , mas algo que não podemo deixar de citar é as transformações culturais ocorridos nestes países. Para ocupação de áreas remotas a condição tecnologia contribuem para este feito, o gosto pelo exótico, ouro diamante, são as condições do sub-mundo, para entrar na fila do progresso, A abertura do mundo, ferrovias, e a massa de consumo, transformando estas economia emergentes em produtores da energia ao produto ou artigo de luxo . Por isto disputar terra é também uma questão Militar .

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Dicionario Deleuze/Guattari

- Agenciamento: Noção mais simples do que as de estrutura, sistema forma, etc . Um agenciamento comporta componentes heterogêneos, tanto de ordem biológica, quando social, maquínica, gnosiológica, imaginária. Na teoria esquizoanalítica do inconsciente, o agenciamento é concebido para substituir o "complexo" freudiano.

- A-significante: distinguimos as "semióticas significantes"- aquelas que articulam cadeias significantes e conteúdos significados- das semiótica a-significante'', que agem a partir de cadeias sintagmáticas, sem engendramento de efeitos de significação no sentido linguístico. Elas podem estra diretamente conectadas com seus referentes no quadro de interação diagramática. Exemplo de semiótica a-significante: a escrita musical, o corpus matemático, as sintaxes informáticas, as do robôs, etc.

- bloco; Termo Próximo de "agenciamento" introduzido em kafka - por uma literatura menor, com a noção de "bloco de Infância ".Não se trata de complexos infantis, mas de cristalizações de sistemas de intensidades que atravessam as faces psicogenéticas e podem operar através dos mais variados sistemas perceptivos, cognitivos, afetivos. Um exemplo de bloco de intensidade ; Os refrões musicais em Proust, "A frasesinha de Vinteuil".

- codigo/sobrecodificação: a noção , aqui é empregada numa acepção bem ampla: ela pode dizer respeito tanto aos sistemas semióticos quanto fluxos sociais e aos fluxos materiais. O termo "sobrecodificação" corresponde a uma codificação em segundo grau. Exemplo: as sociedades agrárias primitivas funcionam segundo seu próprio sistema de codificação territorializado e são "sobrecodificados" por uma estrutura, relativamente desterritorializa, que lhes impõem sua hegemonia militar, religiosa, fiscal, etc.

-Constelação de universo: as referencias da representação não são penas quantificáveis segundo as coordenadas energético-espaço-temporais(EST). Elas são relativas também às coordenadas existenciais qualitativas. Os universos de referencias não são assimiláveis às idéias platônicas: elas variam de acordo com seu ponto de surgimento . Organizam-se em constelações que podem se fazer se fazer à mercê da constituição de agenciamentos de subjetivação.

Corpo-sem-orgão: noção de Antonin Arttaud que Gilles Deleuze retoma para marcar o grau zero das intensidades. A noção de "corpo-sem-orgão, difere da noção de "pulsão de morte", não implica qualquer  referencia termodinâmica.

- Corte: a "máquinas de desejantes" são caracterizadas como sistemas de corte dos fluxos. Em O Anti-èdipo, Termo "corte" é inseparável de "fluxos":" Conncticut, Connect-I-cut, grita Joey de bettelhem .

-Devir: Termo relativo à economia do desejo. OS fluxos de desejo procedem por afetos e devires, independentemente do fato de que possam ser ou não calcados sobre pessoas sobre ]imagens, sobre identificas. Assim um individuo, etiquetado antropologicamente como masculino, pode ser atravessado por devires múltiplos e, aparentemente , contraditórios: Devir feminino que coexiste com um devir criança, um devir animal, um devir indizível,etc. Uma língua dominante ( uma língua que opera num espaço nacional) pode ser localmente capturada num devir minoritário. Ela será qualificada de "devir menor" . Exemplo: Dialeto alemão de Praga utilizado por Kafka.

- Encodificação: agenciamento de código . Caso Particular de agenciamento que pode ser de moldagem, de catálise de identificação, de enunciação discursiva, etc. Nessa condições é preciso separar das encodificações:

- os "processos maquínicos concretos" (maquinas Técnicas, maquinas econômicas, etc)

- os "processos maquínicos abstratos"( ou Phylum maquínicos) .Os "universos incorporais são universos de referencias não discursivos.São compostos de traço de intensidades que se relacionam entre si segundo os sistemas de coordenadas que dependem não da lógica dos conjuntos discursivos, mas sem de uma lógica, ou melhor, de um "maquina dos corpos sem órgão".Exemplo de máquinas abstratas: . As estruturas profundas" da sintaxe gerativo-transformacional de Chomsky;
. o quadro de classificações periódica dos elementos químicos de Mendeleiev;
.as diversa máquinas barrocas que atravessam a história da arte.

- Enunciações coletiva: embora a língua seja, por essência, social e , além disso, conectada diagramaticamente em realidades contextuai, as teorias linguísticas da enunciação centram a produção linguística nos sujeitos individuados ao invés de discernir o que são os " agenciamentos coletivos de enunciação".("Coletivo" aqui não deve ser entendido somente no sentido de agrupamento social: ele implica também a entrada de diversas coleções de objetos técnicos , de fluxos materiais, estéticas,etc.

-Fluxo: os fluxos materiais e semióticos "procedem" os sujeitos e os objetos. O desejo , portanto não é de inicio nem subjetivo, nem representativo: ele é economia de fluxos.

- Grupo sujeito/grupo sujeitado: Os grupos sujeitos opõe-se aos grupos sujeitados. Tal oposição implica um referencia micropolítica: o grupo sujeito tem por vocação gerir, na medida do possivel, sua relação com as determinações externas e com sua propria lei interna . O grupo sujeitado, ao contrario, tende a ser manipulado por todas as determinações externas e a ser dominado por sua própria lei interna (superego)

Imaginário-fantasma: na medida em que o imaginário e o fantasma na economia do desejo da esquizoanálise não estão mais em posição central essas instancias deverão ser recompostas no seio de noções tais como "agenciamento" , "bloco".

Referência: GUATTARI, Félix; ROLNIK, Suely. Micropolítica: cartografias do desejo. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 2000. 326 p.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Rembrandt Harmenszoon van Rijn


Aristoteles, reverência Homero.
Aristóteles (384-322 a.C), descansa a mão pensativa sobre um busto de Homero, o poeta épico cego da Ilíada e da Odisséia. Um medalhão representando Alexandre, o Grande, a quem Aristóteles ensinava, pende da pesada corrente de ouro. O filósofo contempla recompensas materiais, em oposição aos valores espirituais, com o jogo de luz e sombra em suas feições que sugerem os movimentos de sua mente. Pintado para o grande siciliano colecionador Antonio Ruffo, a imagem também se refere à comparação entre o tato e a visão como um meio de adquirir conhecimento de Aristóteles
Rembrandt Harmenszoon van Rijn (Leida, 15 de julho de 1606 — Amsterdam, 4 de outubro de 1669) foi um pintor e gravador neerlandês.
http://www.metmuseum.org/Collections/search-the-collections/110001844

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

QUARTA-FEIRA DE CINZAS /1930 .T.S.ELIOT

I
Porque não mais espero retornar
porque não espero
porque não espero retornar
A este invejando-lhe o dom e aquele o seu projeto
Não mais me empenho no empenho de tais coisas
(por que abriria a velha águia suas asas?)
Por que lamentaria eu, afinal,
O esvaido poer do reino trivial?

Porque não mais espero conhecer
A vacilante glória da hora positiva
porque não penso mais
porque sei que nada saberei
do único poder fugaz e verdadeiro
Porque não posso beber
Lá, onde as árvores florescem e as fontes rumorejam,
Pois lá nada retorna à sua forma

Porque sei que o tempo é sempre o tempo
e que o espaço é sempre o espaço apenas
e o real somente o é dentro de um espaço
e apenas para o espaço que o contém
Algregro-me de serem as coisas o que são
E renuncio à face abençoada
e renuncio à voz

Porque esperar não posso mais
e assim me alegro, por ter de alguma coisa edificar
de que me possa depois rejubilar

E rogo a Deus que de nós se compadeça
E rogo a Deus porque esquecer desejo
estas coisas que comigo por demais discuto
por demais explico
porque não mais espero retornar
Que palavras afinal respondam
Por tudo o que foi feito e que refeito não será
e que a sentença por demais não pese sobre nós

Porque estas asas de voar já se esqueceram
e no ar apenas são andrajos que se arqueiam
e no ar agora cabalmente exíguo e seco
Mais exíguo e mais seco que o desejo
ensinai-nos o desvelo e o menosprezo
Ensinai-nos a estar postos em sossego.

Rogai por nós pecadores agora e na hora de nossa morte
rogai por nós agora e na hora da nossa morte .

II
Senhora, três leopardos brancos sob um zimbro
Ao frescor do dia repousavam, saciados
De meus braços meu coração meu fígado e do que havia
Na esfera oca do meu crânio.
E disse Deus:Viverão tais ossos? Tais ossosViverão?
E o que pulsara outrora
Nos ossos (secos agora) disse num cicio:~raças à bondade desta Dama
E à sua beleza, e porque ela
A meditar venera a Virgem,
É que em fulgor resplandecemos.
E eu que estou aqui dissimulado
Meus feitos ofereço ao esquecimento, e consagro meu amor
Aos herdeiros do deserto e aos frutos ressequidos.
Isto é o que preserva
Minhas vísceras a fonte de meus olhos e as partes indigestas
Que os leopardos rejeitaram.
A Dama retirou-se
De branco vestida, orando, de branco vestida.
Que a brancura dos ossos resgate o esquecimento.
A vida os excluiu.
Como esquecido fui
E preferi que o fosse, também quero esquecer
Assim contrito, absorto em devoção.
E disse Deus:Profetiza ao vento e ao vento apenas, pois somente
O vento escutará. E os ossos cantaram em uníssono
Com o estribilho dos grilos, sussurrando:
Senhora dos silêncios
Serena e aflitaLacerada e indivisaRosa da memória
Rosa do oblívioExânime e instiganteAtormentada tranqüilaA única Rosa em queConsiste agora o jardim
Onde todo amor terminaExtinto o tormentoDo amor insatisfeitoDa aflição maior aindaDo amor já satisfeitoFim da infinitajornada sem termoConclusão de tudoO que não findaFala sem palavraE palavra sem falaLouvemos a MãePelo JardimOnde todo amor termina.
Cantavam os ossos sob um zimbro, dispersos e alvadios,Alegramo-nos de estar aqui dispersos,Pois uns aos outros bem nenhum fazíamos,Sob uma árvore ao frescor do ~a, com a bênção das areias,Esquecendo uns aos outros e a nós próprios, reunidosNa quietude do deserto. Eis a terraQue dividireis conforme a sorte. E partilha ou comunhãoNão importam. Eis a terra. Nossa herança.
III
Na primeira volta da segunda escadaVoltei-me e vi lá embaixoO mesmo vulto enrodilhado ao corrimãoSob os miasmas que no fétido ar boiavamCombatendo o demônio das escadas, ocultoEm dúbia face de esperança e desespero.
Na segunda volta da segunda escadaDeixei-os entrançados, rodopiando lá embaixo;Nenhuma face mais na escada em trevas,Carcomida e úmida, como a bocaImprestável e babugenta de um ancião,Ou a goela serrilhada de um velho tubarão.
Na primeira volta da terceira escadaUma túmida ventana se rompia como um figoE além do espinheiro em flor e da cena pastorilA silhueta espadaúda de verde e azul vestidaEncantava maio com uma flauta antiga.Doce é o cabelo em desalinho, os fios castanhosTangidos por um sopro sobre os lábios,Cabelos castanhos e lilases;Frêmito, música de flauta, pausas e passosDo espírito a subir pela terceira escada,Esmorecendo, esmorecendo; esforçoPara além da esperança e do desesperoGalgando a terça escala.Senhor, eu não sou dignoSenhor, eu não sou digno
mas dizei somente uma palavra.
IV
Quem caminhou entre o violeta e o violetaQuem caminhou por entreOs vários renques de verdes diferentesDe azul e branco, as cores de Maria,Falando sobre coisas triviaisNa ignorância e no saber da dor eternaQuem se moveu por entre os outros e como eles caminhouQuem pois revigorou as fontes e as nascentes tornou puras
Tornou fresca a rocha seca e solidez deu às areiasDe azul das esporinhas, a azul cor de Maria,Sovegna vos
Eis os anos que permeiam, arrebatandoFlautas e violinos, restituindoAquela que no tempo flui entre o sono e a vigília, oculta
Nas brancas dobras de luz que em torno dela se embainham.Os novos anos se avizinham, revivendoAtravés de uma faiscante nuvem de lágrimas, os anos, resgatandoCom um verso novo antigas rimas. RedimemO tempo, redimemA indecifrada visão do sonho mais sublimeEnquanto ajaezados unicórnios a essa de ouro conduzem.
A irmã silenciosa em véus brancos e azuisPor entre os teixos, atrás do deus do jardim,Cuja flauta emudeceu, inclina a fronte e persigna-seMas sem dizer palavra alguma
Mas a fonte jorrou e rente ao solo o pássaro cantouRedimem o tempo, redimem o sonhoO indício da palavra inaudita, inexpressa
Até que o vento, sacudindo o teixo,Acorde um coro de murmúriosE depois disto nosso exílio
V
Se a palavra perdida se perdeu, se a palavra usada se gastouSe a palavra inaudita e inexpressaInexpressa e inaudita permanece, entãoInexpressa a palavra ainda perdura, o inaudito Verbo,O Verbo sem palavra, o VerboNas entranhas do mundo e ao mundo oferto;E a luz nas trevas fulgurouE contra o Verbo o mundo inquieto ainda arremeteRodopiando em torno do silente Verbo.
Ó meu povo, que te fiz eu.
Onde encontrar a palavra, onde a palavraRessoará? Não aqui, onde o silêncio foi-lhe escassoNão sobre o mar ou sobre as ilhas,Ou sobre o continente, não no deserto ou na úmida planície.Para aqueles que nas trevas caminham noite e diaTempo justo e justo espaço aqui não existemNenhum sítio abençoado para os que a face evitamNenhum tempo de júbilo para os que caminhamA renegar a voz em meio aos uivos do alarido
Rezará a irmã velada por aquelesQue nas trevas caminham, que escolhem e depois te desafiam,Dilacerados entre estação e estação, entre tempo e tempo, entreHora e hora, palavra e palavra, poder e poder, por aquelesQue esperam na escuridão? Rezará a irmã veladaPelas crianças no portãoPor aqueles que se querem imóveis e orar não podem:Orai por aqueles que escolhem e desafiam
Ó meu povo, que te fiz eu.
Rezará a irmã velada, entre os esguiosTeixos, por aqueles que a ofendemE sem poder arrepender-se ao pânico se rendemE o mundo afrontam e entre as rochas negam?No derradeiro deserto entre as últimas rochas azuisO deserto no jardim o jardim no desertoDa secura, cuspindo a murcha semente da maçã.
Ó meu povo.
VI
Conquanto não espere mais voltarConquanto não espereConquanto não espere voltar
Flutuando entre o lucro e o prejuízoNeste breve trânsito em que os sonhos se entrecruzamNo crepúsculo encruzilhado de sonhos entre o nascimento e a morte( Abençoai-me pai) conquanto agoraJá não deseje mais tais coisas desejarDa janela debruçada sobre a margem de granitoBrancas velas voam para o mar, voando rumo ao largoInvioladas asas
E o perdido coração enrija e rejubila-seNo lilás perdido e nas perdidas vozes do marE o quebradiço espírito se anima em rebeldiaAnte a arqueada virga-áurea e a perdida maresiaAnima-se a reconquistarO grito da codorniz e o corrupio da pildraE o olho cego então concebeFormas vazias entre as partas de marfimE a maresia reaviva o odor salgado das areias
Eis o tempo da tensão entre nascimento e morteO lugar de solidão em que três sonhos se cruzamEntre rochas azuisMas quando as vozes do instigado teixo emudeceremQue outro teixo sacudido seja e possa responder.
Irmã bendita, santa mãe, espírito da fonte e do jardim,Não permiti que entre calúnias a nós próprios enganemosEnsinai-nos o desvelo e o menosprezoEnsinai-nos a estar postos em sossegoMesmo entre estas rochas,Nossa paz em Sua vontadeE mesmo entre estas rochasMãe, irmãE espírito do rio, espírito do mar,Não permiti que separado eu seja E que meu grito chegue a Ti.


Tradução de Ivan Junqueira, do original: Collected Poems 1909-1962, para a Editora Nova Fronteira em 1981.