Ao invés de correspondências formais, o que a pintura de Bacon constitui é uma zona de indiscernibilidade, de indecisão, entre o homem e o animal. O homem se torna animal, mas ele não se torna sem que o animal ao mesmo tempo se torne espírito, espírito de homem, espírito físico de homem apresentado no espelho como Eumênides ou Destino. Não é nunca uma combinação de formas, é antes um fato comum: o fato comum do homem e do animal. Ao ponto em que a Figura a mais isolada de Bacon é já uma Figura acoplada; o homem acoplado a seu animal numa tauromaquia latente. Esta zona objetiva de indiscernibilidade, ela já é o corpo, mas o corpo enquanto carne ou vianda.(DELEUZE 2007 p. 29)."Portanto não há sentimento em Bacon:nada mais do que afetos, ou seja, “sensações” e “instintos”, seguindo a fórmula do Naturalismo. E a sensação, que determina o instinto em tal momento, assim como o instinto, é a passagem de uma sensação a outra, a busca da “melhor” sensação." Na trama de conceitos os significados e definições, Deleuze incita que o leitor tenha atenção também para outras noções, que o conjunto de suas teses faça sentido. Todos os filósofos a tem uma linguagem própria, tem um estilo. “Os signos reenviam aos modos de vida, às possibilidade de existência, são os sintomas de uma vida em jorro ou vazia. Os artistas não podem se contentar com uma vida vazia, nem como uma vida pessoal.
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segunda-feira, 3 de junho de 2013
VIANDA- CARNE -CORPO
Do mais Simples Vianda:vianda substantivo feminino.Singular
1. Qualquer espécie de alimento, em especial de carne.viandas
s. f. pl.
2. [Por extensão] Iguarias.
3. [Regionalismo] A parte do caldo que não é líquida.
4. [Portugal: Beira, Trás-os-Montes] Cozido para os porcos; lavadura, restos de comida.
A Complexidade "esta zona objetiva de indiscernibilidade, ela já é o corpo, mas o corpo enquanto carne ou
vianda. Sem dúvida o corpo também tem osso, mas os ossos são somente a estrutura espacial"(DELEUZE,2007, p.29). Ele encontra Carne e corpo figurado nas telas de Baccn, isto desperta SENSAÇÕES, imagens que perturbam ao olhar, nos chamam a a atenção, pela agressividade do resultado de cores e fundos opacos,que no primeiro plano uma Vianda. "Se há uma “interpretação” do corpo em Bacon, nós a
encontramos em seu gosto de pintar as Figuras deitadas, das quais o braço ou a coxa
levantada valem por um osso, tal qual a carne adormecida parece descer"(DELEUZE,2007,p.30).
Vejamos que Deleuze constroi uma descrição, onde privilegia a criação deste pintor irlandês.Todo o corpo é percorrido por
um movimento intenso. Movimento deformadamente disforme, que remete à cada instante a imagem real ao corpo, para constituir a Figura (DELEUZE,2007,p.27).
Deleuze afirma também que Bancon tramista em suas imagens deformadas, uma ponte entre o Homem e o animal. O corpo, é a Figura, ou melhor, o material da Figura.Neta sequencia a criação de Bancon abre um ZONA DE INDISCERNIBILIDADE:
Os Três estudos de Isabel Rawthorne(1967) - FRANCIS BACON (1909 -1992)
"Os Três estudos de Isabel Rawthorne(1967) mostram a Figura em vistas de
fechar a porta sobre um intruso ou uma visitante, mesmo que seja seu próprio duplo.
Diremos então que em muitos casos subsiste uma espécie de espectador, um voyeur, um
fotógrafo, um passante, um “que espreita”, distinto da Figura, notadamente nos trípticos,
onde isto é quase uma lei, mas não somente neles. Veremos portanto que Bacon precisa,
em seus quadros e sobretudo em seus trípticos, de uma função de testemunho, que faz
parte da Figura e não tem nada a ver com o espectador"(DELEUZE, 2007, p.21).
DELEUZE, Gilles. Francis Bacon: lógica da sensação. Rio de Janeiro: Zahar, 2007. 183 p.
domingo, 2 de junho de 2013
O enterro do conde de Orgaz, Pintado por Greco e texto de Gilles Deleuze.
"Uma horizontal divide o quadro em duas partes, inferior e superior, terrestre e celestial. Na parte de baixo existe claramente uma figuração ou narrativa que representa o enterro do conde, ainda que todos os coeficientes de deformação dos corpos, e notadamente o seu alongamento, façam parte da obra. Mas no alto, lá onde o conde é recebido por Cristo, há uma liberação louca, uma total liberdade: as Figuras se elevam e se alongam se afinam desmedidamente, fora de todo limite. Graças às aparências, não há mais história a serem contadas, as Figuras são libertadas de seus papéis representativos, elas entram em relação direta com uma ordem de sensação celeste. É isto que a pintura cristã encontrou no sentimento religioso: um ateísmo propriamente pictórico, onde podemos tomar ao pé da letra que Deus nunca deveria ser representado. De fato, com Deus, mas também com Cristo, com a Virgem, e também com o Inferno, as linhas, as cores, os movimentos se liberam das exigências da representação. As Figuras se levantam ou mergulham, ou se contorcem livres de toda figuração. Elas não têm mais nada a representar ou narrar, pois se contentam em remeter, neste domínio, ao código existente da Igreja. É então que, por sua conta, elas não têm mais a ver com as “sensações” celestiais, infernais ou terrestres. Tudo passará por um código, pintaremos o sentimento religioso de todas as cores do mundo. Não é mais necessário dizer que “se Deus não está, tudo é permitido”. É exatamente o contrário. Pois com Deus é que tudo é permitido. É com Deus que tudo é permitido. Não só moralmente, pois as violências e infâmias encontram sempre uma justificativa sagrada. Mas esteticamente, de uma maneira ainda mais importante, visto que as Figuras divinas são animadas por um livre trabalho criador, por uma fantasia que se permite todas as coisas. O corpo de Cristo é verdadeiramente talhado de uma inspiração diabólica que o faz passar por todos os “domínios sensíveis”, por todos os “níveis de sensação diferentes"(DELEUZE, 2007, p.17).
DELEUZE, Gilles. Francis Bacon: lógica da sensação. Rio de Janeiro: Zahar, 2007. 183 p.
quinta-feira, 30 de maio de 2013
TEXTO DE Antonin Artaud.
CARTA AO PAPA
O Confessionário não é você papa , oh Papa, somos nós; entenda-nos e que os católicos nos entendam.
Em nome da pátria, em nome da família, você promove a venda das almas, a livre trituração dos corpos.
Temos, entre nós e nossas almas, suficientes caminhos para percorrer, suficientes distâncias para que neles se interponham os teus sacerdotes vacilantes e esse amontoado de doutrinas afoitas das quais se nutrem todos os castrados do liberalismo mundial.
Teu Deus Católico e cristão que, como todos os demais deuses, concebeu todo o mal:
1ºVocê enfiou no bolso.
2º Nada temos a fazer com teus cânones, index, pecado, confessionário, padralhada, nós pensamos em outra guerra, guerra contra você, Papa Cachorro.
Aqui o espírito se confessa para o espirito.
De ponta a ponta de teu carnaval romano, o que triunfa é o ódio sobre as verdades imediatas da alma, sobre essas chamas que chegam a consumir o espirito. Não existe Deus Bíblia, Evangelho; não existem palavras que possam deter o mundo; nem a terra nem Deus falam de você.
O mundo é o abismo da alma, Papa caquético, Papa alheio à alma, deixe-nos nadar em nossos corpos, deixe nossas almas em nossas almas, não precisamos do teu facão de claridades.
REFERENCIAS: WILLER, C. Os escritos de Antonin Artaud. Porto Alegre: L&PM, 1986.(ColeçãoRebeldes &Malditosv. 5).
ANTONIN ARTAUD
Mal dito Antonin Artaud (1896-1948), dramaturgo, crítico literário, percorre de fato uma vida nefasta nesta terra. Sua Biografia confunde-se com sua obra, no quesito experimentar. Artaud é daqueles artistas que nascem embebidos de fúria, desordem e que tem como objetivo transmitir os sentimentos mais podres que existem na alma humana. Viu no mal, uma forma de se expressar. Formula que aliada às forças místicas do teatro e poesia torna-o um místico, um feiticeiro. Sua proposta para o teatro ( aquilo que ele denominava CRUELDADE), escreve junto ha amigos, Os SURREALISTAS, mas diferentes deles escreve porque era sua vida e não motivado pelo certeza do sucesso literário. Algo era mais forte em Artaud, sua demoníaca expressão corporal. Como se realmente seu corpo o limita-se.
REFERENCIAS: -WILLER, C. Os escritos de Antonin Artaud. Porto Alegre:L&PM, 1986.(Coleção Rebeldes & Malditos v.5). -TEIXEIRA COELHO, J. Artaud: posição da carne. São Paulo: Brasiliense, 1982.
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Deleuze e conceitos
Para ter uma compreensão filosófica, não é preciso ser filósofo. A muito de não filosofia na cabeça e no pensamento das pessoas, ambas torna-se positivas. O que o filosofo francês Gilles Deleuze chama de Afetos e Perceptos e Conceito.
“O conceitos é que impede o pensamento de ser uma simples opinião, um conselho, uma discussão, uma conversa”... “Os perceptos não são percepções são conjunto de sensações e relações que sobrevivem àqueles que as experimentam. Os afetos não são sentimentos, são estes devires que desbordam o que passa por eles (ele torna-se outro)” (ESCOBAR, apud. Deleuze. p.11, 1992).
Por isto em Deleuze não é no acúmulo de informações, e sim Devires em que os homens passam por uma vida, que lhe permitem dizer sobre o mundo, ou traçar linha de fuga, que é preciso que a linguagem não seja um sistema homogêneo, mas um desequilíbrio, sempre e heterogêneo, mas o que isto quer dizer?(muito próximo a Foucault na teoria dos enunciados).
Acontecimento é um conceito filosófico, o único capaz de destruir o verbo ser e o atributo. “não estamos completamente seguro de sermos pessoas: uma brisa, um dia, uma hora do dia, um riacho, um lugar, uma batalha uma doença ou uma individualidade não pessoal.” Deleuze chama isto de “Estidades”, e estas podem ser por vezes modestas e microscópicas, mas elas continuam atuantes e vibrantes. O filosofo insiste em que há um laço profundo entre os signos, o acontecimento, a vida, o vitalismo, é a potência de uma vida não orgânica, o que nos faz compreender uma linha de desenho, de musica, de escrita. “não há nenhuma obra que não indique uma abertura para a vida” (ESCOBAR, apud. Deleuze. p.17, 1991).
Na trama de conceitos os significados e definições, tendem a pressupor do leitor atenção também para outras noções, que o conjunto de suas teses faça sentido. Todos os filósofos a tem uma linguagem própria, tem um estilo. “Os signos reenviam aos modos de vida, às possibilidade de existência, são os sintomas de uma vida em jorro ou vazia. Os artistas não podem se contentar com uma vida vazia, nem como uma vida pessoal.
Assim o mundo é povoado por imagens de pensamentos, e para que o pensamento não seja refletido, Deleuze incita ao construtivismo. E o que substitui a comunicação é o expressionismo. “por imagem de pensamento, não entendo o método, mas algo mais profundo, um pressuposto, um sistema de coordenadas, de dinamismo, de orientações: o que significa pensar. Orientar-se no pensamento” (ESCOBAR, apud. Deleuze. p.22, 1991).
quarta-feira, 1 de maio de 2013
AFIRMAÇÃO ABSOLUTA
"A partir do instante que o homem submete Deus ao juízo moral, ele o mata dentro de si mesmo. Mas qual é o fundamento da moral ? Negar-se Deus em nome da justiça, mas a ideia de justiça pode ser compreendida sem a ideia de Deus? Não nos achamos desse modo no Absurdo? É com o Absurdo que Nietzsche se de fronta . Para melhor superá-lo , ele o leva a extremos: a moral é a ultima face de Deus que deve ser destruída, antes que se comece a reconstrução. Deus não mais existe e não garante mais nossa existência; o home, deve ter a determinação de fazer para existir(CAMUS p.82, 1996)."
A pequena Historia Conatado por CAmus sobre a tentiva de apagara o nome de Deus. Stirner junto a Nietzsche. Assim é discutida a gênese deste conceitos.
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