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quarta-feira, 19 de março de 2014

Foucault , Deleuze: um dialogo fecundo e ininterrupto

Foucault , Deleuze: um dialogo fecundo e ininterrupto

Gilles Deleuze e Michel Focault encontraram-se em 1963. Era  a véspera da aparição de Nietzsche.Michel Foucault queria trazer Gilles Deleuze como professor para a Universidade  de Clemont-Ferrand, onde ele mesmo ensinava. A coisa não se realizou, tendo o ministério da Educação preferido nomear Roger Garaudy para este cargo. Mais tarde, em 1969, Gilles Deleuze viria a substituir Michel Focault na Universidade de  Vincennes –PRIS VIII.
Uma profunda amizade, misturada de um grande respeito, ligará os dois homens, cada um nunca deixando d estar atento ao trabalho do outro onde ele sabia encontra ecos do seu próprio pensamento. Em novembro de 1970, Michel Foucault  fará ,na revista –Critique-, uma exposição de Diferença e Repetição e Lógica do Sentido:, escrevia Michel Foucault , “de dois livros que me parecem grandes entre os grandes.Tão grandes, sem duvida, que é difícil falar deles  e que poucos o fizeram. Creio que durante muito tempo esta obra pairará sobre nossas cabeças, em ressonâncias enigmáticas com a de Klossowski, outro sinal maior e marcante. Mas um dia talvez, o século será Deleuziano”. E, numa note em Surveiller et Punir  (p.20) Michel Foucault  escrevia:  “de qualquer forma , eu não saberia medir em referência ou citações o que este livro deve a Gilles Deleuze e a seu trabalho com Felix Guattari”. Ainda na revista –Critique lugar privilegiado do seu diálogo, Gilles Deleuze fará a exposição de Arqueologia do Saber –“um novo arquivista”- e de Vigiar e Punir – “escritor ou não, um novo cartógrafo”.
A proximidade de Gilles Deleuze e Michel Focault eram também, política: na véspera de maio de 68 , Gilles Deleuze juntar-se-á ao grupo de informações sobre as Prisões  (G.I.P) principalmente animado por Michel Foucault. E numerosas fotos as apresentam juntos nas manifestações de intelectuais contra abusos policiais e judiciários.
Momento privilegiado desta conveniência : a entrevista aparecida em 1972, no número de “L’Arc” consagrando a Gilles Deleuze onde os dois filósofos, cada um no seu próprio estilo , analisam a transformação das relações teórico-práticas características da nova conjuntura política.
Este dialogo necessário devia prosseguir depois da morte de Foucault (1984).Gilles Deleuze consagra-lhe –á o seu penúltimo curso e publicará, em 1987, o livro maior sobre Michel Foucault : é, diz ele mesmo, o livro que ele teria gosto de escrever com ele.
*Artigo traduzido e reiterado da revista –Magazine litteraire- n º 257,set/ 88.


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A vida como uma experiência

"O verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos pela primeira vez um olhar inteligente sobre nós mesmos”
Marguerite Yourcenar 

O projeto

A proposta deste projeto seria de revelar os falsos Conceitos e percepções de que as Drogas geram nos Indivíduos: Dependentes químicos.

Dependência:


1. Estado ou qualidade de dependência, subordinação, sujeição.
Dep.Psiquica. Med. Compulsão a consumir certos medicamentos ou drogas porque produzem um efeito agradável ou suprem problemas como ansiedade, depressão.
“Fármaco dependência”.
“Dependência Química”.
“Alcoolista”.
“Toxicômano”.
“Drogaditos”.

  É uma condição física e psicológica causada pelo consumo constante de substâncias psicoativas. Devido a constante utilização desses tipos de drogas, o corpo humano torna-se cada vez mais dependente dos mesmo, tendo como consequência sintomas que afetam o sistema nervoso. Quando o indivíduo deixa de consumir, tem a sensação de ressaca, considerado um dos principais motivos que impedem o abandono das drogas por parte dos dependentes.
   A dependência varia consoante o vício e a frequência de consumo do individuo. Uma das áreas mais afetadas de um dependente químico é a psicológica, alterando bruscamente a sua maneira de viver e a sua interação com a sociedade.
   A dependência química é considerada uma doença crônica, que é causada pela necessidade psicológica da pessoa de buscar o prazer e evitar sensações desagradáveis, causadas pela abstinência.
A mudança é quando o sujeito. Olha antes de tudo para sua “alma”. Com a maior franqueza. E com o verdadeiro desejo de mudar de caminho. Voltar a escolher. Tornar-se responsável por suas escolhas. Sem julgamento de Certo e errado. Afinal ele já experimentou de tudo. Mas tudo para uma vida. É a saída?Aonde se quer chegar?Quais é as necessidades Básicas?

   Quando mais um Dependente de droga. Conhece sobre o assunto droga/ Uso/ Tratamento, mas ele pode: ESCOLHER/TRAÇAR NOVA METAS/VIVER OUTRAS INTENSIDADES/TORNA-SE A SI/BUSCAR RELACIONAMENTOS AUTÊNTICOS/RESPEITAR SEUS LIMITES.

Deleuze e as Drogas

“É curioso que a palavra "fé" sirva para designar um plano que vira imanência. Mas, se o cavaleiro é o homem do devir, há cavaleiros de toda espécie. Não existe até cavaleiros da droga, no sentido em que a fé é uma droga, muito diferente do sentido em que a religião é um ópio? Esses cavaleiros pretendem que a droga, em condições de prudência e de experimentação necessárias, é inseparável da instauração de um plano. E nesse plano, não só conjugam-se devires-mulher, devires-animais, devires moleculares, devires-imperceptível, mas o próprio imperceptível torna-se um necessariamente percebido, ao mesmo tempo em que a percepção torna-se necessariamente molecular: chegar a buracos, microintervalos entre as matérias, cores e sons, onde se precipitam as linhas de fuga, linhas do mundo, linhas de transparência e de secção”.

“Mudar a percepção; o problema está colocado em termos corretos, porque ele dá um conjunto pregnante "da" droga, independentemente das distinções secundárias (alucinatórias ou não, pesadas ou leves, etc.). Todas as drogas concernem primeiro as velocidades, e as modificações de velocidade. O que permite descrever um agenciamento Droga, sejam quais forem as diferenças, é uma linha de causalidade perceptiva que faz com que: 1) o imperceptível seja percebido, 2) a percepção seja molecular, 3) o desejo invista diretamente a percepção e o percebido. Os americanos da beat generation já tinham se engajado nessa via, e falavam de uma revolução molecular própria à droga.”

“mais uma vez, o problema está bem colocado quando se diz que a droga faz perder as formas e as pessoas, faz funcionar as loucas velocidades de droga e as prodigiosas lentidões do após-droga, acopla umas às outras como lutadores, dá à percepção a potência molecular de captar microfenômenos, microoperações, e dá ao percebido a força de emitir partículas aceleradas ou desaceleradas, segundo um tempo flutuante que não é mais o nosso, e hecceidades que não são mais deste mundo: desterritorialização, "eu estava desorientado..." (percepção de coisas, de pensamentos, de desejo, onde o desejo, o pensamento, a coisa invadiram toda a percepção, o imperceptível enfim percebido). Nada mais que o mundo das velocidades e das lentidões sem forma, sem sujeito, sem rosto. Nada mais que o ziguezague de uma linha, como "a correia do chicote de um carroceiro em fúria", que rasga rostos e paisagens. Todo um trabalho rizomático da percepção, o momento em que desejo e percepção se confundem.”

“Esse problema de uma causalidade específica é importante. Enquanto se invoca causalidades mais gerais ou extrínsecas, psicológicas, sociológicas, para dar conta de um agenciamento, é como se não se dissesse nada. Hoje instaurou-se um discurso sobre a droga que só faz agitar generalidades sobre o prazer e a infelicidade, sobre as dificuldades de comunicação, sobre causas que vêm sempre de outra parte. Mais finge-se compreender um fenômeno quanto mais se é incapaz de captar sua causalidade própria em extensão. Sem dúvida, um agenciamento jamais comporta uma infra-estrutura causai. Ele comporta, no entanto, e no mais alto ponto, uma linha abstrata de causalidade específica ou criadora, sua linha de fuga, de desterritorialização, que só pode efetuar-se em relação com causalidades gerais ou de uma outra natureza, mas que não se explica absolutamente por elas. Nós dizemos que os problemas de droga só podem ser captados no nível onde o desejo investe diretamente a percepção, e onde a percepção.A droga aparece então como o agente desse devir. É aí que haveria uma fármaco-análise que seria preciso ao mesmo tempo comparar e opor à psicanálise, pois em relação a esta há motivos para fazer dela ao mesmo tempo um modelo, um oposto e uma traição. A psicanálise, com efeito, pode ser considerada como um modelo de referência porque, em relação a fenômenos essencialmente afectivos, ela soube construir o esquema de uma causalidade própria, distinto das generalidades psicológicas ou sociais ordinárias. Mas esse esquema causai permanece tributário de um plano de organização que nunca pode ser captado por si mesmo, sempre concluído de  outra coisa, inferido, subtraído ao sistema da percepção, e que recebe precisamente o nome de Inconsciente. O plano do Inconsciente permanece, portanto, um plano de transcendência, que deve caucionar, justificar a existência do psicanalista e a necessidade de suas interpretações. Esse plano do Inconsciente opõe-se molarmente ao sistema percepção-consciência e, como o desejo deve ser traduzido para esse plano, ele próprio é acorrentado a robustas molaridades como à face oculta do iceberg (estrutura de Édipo ou rochedo da castração). Então, quanto mais o imperceptível opõe-se ao percebido numa máquina dual, mais ele permanece imperceptível. Tudo muda num plano de consistência ou de imanência, que se encontra necessariamente percebido por conta própria ao mesmo tempo em que é construído: a experimentação substitui a interpretação; o inconsciente tornado molecular, não figurativo e não simbólico, é dado enquanto tal às micropercepções; o desejo investe diretamente o campo perceptível onde o imperceptível aparece como o objeto percebido do próprio desejo, "o nãofigurativo do desejo".

"O inconsciente não designa mais o princípio oculto do plano de organização transcendente, e sim o processo do plano de consistência imanente, à medida que ele aparece em si mesmo ao longo de sua construção, pois o inconsciente está para ser feito e não para ser reencontrado. Não há mais uma máquina dual consciência-inconsciente, porque o inconsciente está, ou melhor, é produzido aí onde a consciência é levada pelo plano. A droga dá ao inconsciente a imanência e o plano que a psicanálise não parou de deixar escapar (pode ser, desse ponto de vista, que o célebre episódio da cocaína tenha marcado uma virada, forçando Freud a renunciar a uma aproximação direta do inconsciente). Mas, se é verdade que a droga remete a essa causalidade perceptiva molecular, imanente, resta toda a questão de saber se ela consegue efetivamente traçar o plano que condiciona seu exercício. Ora, a linha causal da droga, sua linha de fuga, não para de ser segmentarizada na forma, a mais dura possível, da dependência, do dopar-se, da dose e do traficante.”

“As desterritorializações permanecem relativas, compensadas pelas reterritorializações as mais abjetas, de modo que o imperceptível e a percepção não param de perseguir-se ou de correr um atrás do outro sem nunca acoplar-se de fato. Em vez de os buracos no mundo permitirem que as próprias linhas do mundo fujam, as linhas de fuga enrolam-se e põem-se a rodopiar em buracos negros, cada drogado em seu buraco, grupo ou indivíduo, como um caramujo. Caindo mais no buraco do que no barato. As micropercepções moleculares são recobertas de antemão, conforme a droga considerada, por alucinações, delírios, falsas percepções, fantasmas, surtos paranóicos, restaurando a cada instante formas e sujeitos, como fantasmas ou duplos que não parariam de obstruir a construção do plano.”


“Em vez de fazer um corpo sem órgãos suficientemente rico ou pleno para que as intensidades passem, as drogas erigem um corpo vazio ou vitrificado, ou um corpo canceroso: a linha causai, a linha criadora ou de fuga, vira imediatamente linha de morte e de abolição. A abominável vitrificação das veias, ou a purulência do nariz, o corpo vítreo do drogado. Buracos negros e linhas de morte, as advertências de Artaud e de Michaux se juntam (mais técnicas, mais consistentes do que o discurso sócio psicológico, ou psicanalítico, ou informacional, dos centros de assistência e de tratamento). Artaud dizendo: você não evitará as alucinações, as percepções errôneas, os fantasmas descarados ou os maus sentimentos, como tantos buracos negros nesse plano de consistência, pois tua consciência irá também nessa direção cheia de armadilhas56. Michaux dizendo: você não será mais senhor de tuas velocidades, você entrará numa corrida louca do imperceptível e da percepção, que gira mais em falso ainda porque tudo aí é relativo”.

“Você irá inchar de si mesmo, perder o controle, estar num plano de consistência, num corpo sem órgãos, mas exatamente no lugar onde você não parará de deixá-los escapar, esvaziar, e de desfazer o que você faz,
farrapo imóvel. Que palavras mais simples do que "percepções errôneas" (Artaud), "maus sentimentos" (Michaux), para dizer no entanto a coisa mais técnica: como a causalidade imanente do desejo, molecular e perceptiva, fracassa no agenciamento-droga. Os drogados não param de recair naquilo de que eles queriam fugir: uma segmentaridade mais dura à força de ser marginal, uma terrritorialização mais artificial ainda porque ela se faz sobre substâncias químicas, formas alucinatórias e subjetivações fantasmáticas. Os drogados podem ser considerados como precursores ou experimentadores que retraçam incansavelmente um novo caminho de vida; mas mesmo sua prudência não tem as condições da prudência. Então, ou eles recaem na coorte de falsos heróis que seguem o caminho conformista de uma pequena morte e um longo cansaço. Ou então, pior ainda, eles só terão servido para lançar uma tentativa que só pode ser retomada e aproveitada por aqueles que não se drogam ou que não se drogam mais, que retificam secundariamente o plano sempre abortado da droga, e descobrem pela droga o que falta à droga para construir um plano de consistência. Seria o erro dos drogados o de partir do zero a cada vez, seja para tomar droga, seja para abandoná-la, quando se precisaria partir para outra coisa, partir "no meio", bifurcar no meio? Conseguir embriagar-se, mas com água pura (Henry Miller). Conseguir drogar-se, mas por abstenção, "tomar e abster-se, sobretudo abster-se", eu sou um bebedor de água (Michaux). Chegar ao ponto onde a questão não é mais "drogar-se ou não", mas que a droga tenha mudado suficientemente as condições gerais da percepção do espaço e do tempo, de modo que os não-drogados consigam passar pelos buracos do mundo e sobre as linhas de fuga, exatamente no lugar onde é preciso outros meios que não a droga. Não é a droga que assegura a imanência, é a imanência da droga que permite ficar sem ela. É covardia, coisa de aproveitador, esperar que os outros tenham se arriscado? Antes retomar uma empreitada sempre pelo meio, mudar seus meios. Necessidade de escolher, de selecionar a boa molécula, a molécula de água, a molécula de hidrogênio ou de hélio. Não é uma questão de modelo, todos os modelos são molares: é preciso determinar as moléculas e as partículas em relação às quais as "vizinhanças" (indiscernibilidade, devires) engendram-se e se definem. O agenciamento vital, o agenciamento-vida, é teoricamente ou logicamente possível com toda espécie de moléculas."

"Não se trata de conformar-se a um modelo, mas de insistir numa linha. Os drogados não escolheram a boa molécula ou a boa linha. Toscos demais para captar o imperceptível, e para devir imperceptíveis, eles acreditaram que a droga lhes daria o plano, quando é o plano que deve destilar suas próprias drogas, permanecer senhor das velocidades e das vizinhanças.”

REFERENCIA: DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1995. 5 v. (Coleção trans)

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Dicionário dos Principais Personagens de Nietzsche por Deleuze

Águia ( e Serpente ) - São os  da animais de Zaratustra. A serpente está enrolada em torno do pescoço da águia. Ambos exprimem,pois, o eterno Retorno como aliança, como anel, como esponsais do casal divino Dionísio-Ariana. Mas exprimem-no  de maneira animal, como uma certeza imediata ou uma evidência natural. ( A essência do eterno retorno escapa-lhes, quer dizer , o seu caráter seletivo, tanto do ponto de vista do pensamento como do Ser).Por isso, fazem do eterno Retorno uma tagarelice, uma omissão. e ainda mais : a serpente desenrolada exprime o que há  de insuportável e de impossível no eterno Retorno, enquanto o tornamos como uma certeza natural segundo a qual .

Burro(ou Camelo) - São os animais do deserto (niilismo).Carruagem, carregam com fardos até o fim do deserto. O Burro tem dois defeitos: o seu Não é um falso não , um do ressentimento. E ainda mais, o seu Sim (I-A,I-A) é um falso sim. Julga que afirmar significa carregar,assumir. O Burro é , em primeiro lugar, o animal cristão: carrega com o peso dos valores ditos < superiores a vida>. Depois da morte  de Deus , carrega com o peso dos valores < humanos>, pretende assumir < o real como ele é>: por conseguinte , ele é novo deus dos . de uma ponta à outra, o Burro é a caricatura e a tradição do Sim dionisíaco;afirma, mas só afirma os produtos do niilismo. As suas longas orelhas opõe-se, pois, ás orelhas pequenas, redondas e labirínticas de Dionísio e de Ariana.

Aranha ( ou Tarântula ) - É o espirito de vingança ou de ressentimento. O seu poder de contágio é o seu  veneno. A sua vontade é uma vontade de punir e julgar.A sua arma é o fio, o fio da moral. A sua pregação é a igualdade ( que toda a gente se torne semelhante a si  mesmas!). 

Ariana ( e teseu) - É a Anima. Ela foi amada por teseu e amou-se. Mas então, precisamente, ela segurava o fio, era um pouco Aranha, fria criatura do ressentimento. Teseu é o herói, uma imagem do homem superior. Possui todas as inferioridades do : carregar, assumir, não saber renunciar , ignorar a ligeireza . Enquanto Ariana ama Teseu, e é amada por ele, a sua feminidade continuada aprisionada , ligada pelo fio. Mas quanto Dionísio-Touro se aproxima, ele aprende qual é a verdadeira afirmação, a verdadeira ligeireza. Torna-se a Anima afirmativa , que diz sim a Dionísio. Ambos constituem  o casal que constitui o eterno Retorno e engendram o Super-Homem. Porque:.

Bobo (Macaco, Anão ou Demônio)- É a criatura de Zaratustra. Imita-o, mas como a lentidão imita a ligeireza.Ele também representa o maior perigo de Zaratustra: A traição da doutrina. O bobo despreza, mas o seu desprezo vem do ressentimento. Ele é o espirito  da lentidão. Como Zaratustra, pretende ultrapassar, superar. Mas superar significa para ele: ou fazer-se carregar( subir para os ombros do homem, e do próprio Zaratustra); ou, então saltar por cima. São os dois contra-sensos possíveis sobre o < Super-Homem>. 

Cristo(São Paulo e Buda) - 1º Ele representa um momento essencial  do niilismo: o da má consciência depois  do ressentimento judaico. Mas é sempre a mesma empresa de vingança e de inimizade contra a vida; Porque o amor cristão valoriza apenas os aspectos doentes e desolados da vida. Com a sua morte, Cristo parece torna-se independente do Deus judeu : torna-se universal e . Mas encontrou apenas um novo meio de julgar , de universalizar a condenação da vida , ao interiorizar a falta (má consciência). Cristo seria morto por nós, pelos nosso pecados! Esta é. pelo menos, a interpretação de São Paulo; e foi esta interpretação que levou a melhor  na igreja  e na História . O martírio de Cristo opõe-se, pois, ao de Dionísio: num caso, a vida é julgada  e deve expiar; no outro, ela é bastante justa por si mesma para justificar tudo. < Dionísio contra o Crucificado&gt 
- 2º Mas se procuramos, sob a interpretação paulista , qual era o tipo pessoal de Cristo, Advínhamos que Cristo pertence ao de uma  maneira completamente diferente. Ele é doce, alegre, não condena, indiferente a qualquer culpabilidade; apenas quer morrer, deseja a morte. Por isso, testemunha um grande avanço sobre São Paulo e já  representa o estádio supremo do niilismo, o do ultimo homem ou mesmo do homem que quer morrer:o estádio mais próximo da transmutação dionisíaca. Cristo é < o mais interpresante dos decadentes>, uma espécie  de  Buda. Ele torna possivel uma transmutação; deste ponto  de vista, a síntese de Dionísio e de Cristo torna-se ela própria possivel: < Dionísio-Crucificado> .

Dionísio- Sobre os diferentes aspectos de Dionísio,  1º em relação com Apolo: 2º em oposição com Sócrates;3º em contradição com Cristo; 4º em complementaridade com Ariana, cf. a exposição precedente da filosofia de Nietzsche e mais adiante, os textos.

Homens superiores - São múltiplos, mas testemunhas um mesmo empreendimento: depois da morte de Deus, substituir os valores divinos por valores humanos. Eles representam, pois, o devir da cultura , ou esforço para pôr o homem no lugar de Deus. Como o principio  de avaliação permanente o mesmo, como  a transmutação não é feita, eles pertencem plenamente ao niilismo e estão mais próximos do bobo de Zaratustra do que o próprio Zaratustra. São , , e não sabem rir, nem brincar nem dançar. Na ordem lógica, a sua processão é a seguinte:
1º O último papa: Sabe que Deus está morto, mas acredita que Deus se asfixiou a si mesmo, asfixiou-se de piedade, já não podendo suportar o seu amor pelos homens. O ultimo papa ficou sem senhor e, contudo, não é livre, vive de lembranças.
2º Os dois reis: Representam o movimento  da , que se propõe formar e erguer o homem, fazer um homem livre pelos meios mais violentos, mais constrangedores. Assim, há dois reis, um de esquerda para os meios, um de direita para o fim. Mas, antes como depois da morte de Deus , para os meios como para o fim, a propria moralidade dos costumes  degenera , edifica e seleciona ao  contrário, cai em proveito da (triunfo dos escravos). São os dois reis que conduzem o Burro, de que o conjunto  dos homens superiores farão o seu novo deus.
3º O mais ignóbil dos Homens: Foi ele que matou Deus, porque não suportava a sua piedade. Mas é sempre o velho homem, ainda mais covarde: em vez da má consciência de um Deus morto para ele, experimenta  a má consciência de um Deus morto por ele; em vez de piedade vinda de Deus, conhece  a piedade  vinda dos homens, a piedade da populaça, ainda mais suportável. É ele que dirige a litania do Burro e suscita o Falso .
4º O homem sanguesuga: Quis substituir  os valores divinos, a religião e até a moral pelo conhecimento.O conhecimento deve ser cientifico,exato, incisivo:pouco importa então que o seu objeto seja pequeno ou grande; o conhecimento exato da mais pequenas coisa substituirá a nossa crença nos valores vagos.Esta é a razão por que um homem dá o seu braço à sanguessuga,  e dá-se ´por tarefa  e por ideal conhecer  uma coisa pequeníssima: o cérebro da sanguessuga ( sem remontar às causa primeiras).Mas o homem da sanguessuga não sabe que o conhecimento é a própria sanguessuga e que toma o lugar da moral e da religião, perseguindo o mesmo fim delas: fazer uma incisão na vida, mutilar e julgar a vida.
5º O Mendigo volutuário: Renunciou ao próprio conhecimento. Apenas acredita na felicidade humana, procura  a felicidade na terra. Mas a felicidade humana por mais simples que seja, não se encontra mesmo entre  a populaça, animada pelo ressentimento e pela má consciência. A felicidade humana só se encontra entre as vacas.
6º O Encantador: É o homem de má consciência , que se persegue tanto sob o reinado de Deus como depois da morte de Deus. A má consciência é essencialmente comediante, exibicionista. Ela desempenha todos os papéis, mesmo o do ateu, mesmo o do poeta, mesmo o de Ariana. Mas mente e recrimina sempre. Ao dizer < é o meu erro>, ela quer suscitar a piedade, inspirar a própria culpabilidade àqueles que são fortes , envergonhar tudo o que é vivo, propagar o seu veneno.< A tua queixa contém uma armadilha!>
7º A Sombra viajante: É a actividade da cultura que, por parte, procurou realizar o seu fim ( o homem livre, selecionado e construído): sob o reino de Deus, depois da morte de Deus, no conhecimento , na felicidade,etc.Ela falhou o seu fim em toda a parte, porque este fim é também uma Sombra. Este fim, o Homem superior, é ele mesmo falhado, imperfeito. É a Sombra de Zaratustra, nada mais do que a sua sombra, que o segue por toda a parte, mas desaparece na duas horas importantes da Transmutação, Meia-Noite e Meio-Dia.
8º O Adivinho: Diz . Anuncia o último estádio do niilismo: o momento em que o homem, tendo medido a fragilidade do seu esforço para substituir Deus, preferirá já não querer tudo, de preferencia  a querer o nada.O adivinho anuncia, pois, o ultimo Homem, prefigurando o fim do niilismo, ele já mais longe do que os homens superiores. Mas o que lhe escapa é aquilo que está ainda além do último homem: o homem que quer morrer,o homem que quer seu próprio declínio. Com este, o niilismo culmina realmente, é vencido por si mesmo: a transmutação e o super-homem estão próximos.

Zaratustra ( e o Leão) - Zaratustra não é dionísio, mas apenas o seu profeta. Há duas maneiras de exprimir esta subordinação. Poderíamos dizer primeiro que Zaratustra se mantém no -não-. Sem Duvida, este Não já não é o do niilismo: é o - Não sagrado- do Leão. É a destruição de todos os valores estabelecidos, divinos e humanos, que compunham precisamente o niilismo. É o -Não- trans-niilista inerente à transmutação. Também Zaratustra parece ter acabado a sua tarefa ao mergulhar as suas  mãos na juba do Leão. Mas, na verdade, Zaratustra  não permanece no Não, mesmo sagrado e transmutante.Participa plenamente  da afirmação dionisíaca , ele é já  a ideia desta afirmação, a ideia  de Dionísio. Da mesma maneira que dionísio celebra os esponsais com Ariana no eterno Retorno, Zaratustra encontra a sua noiva no eterno Retorno. Da mesma maneira que Dionísio é o pai do Super-Homem, Zaratustra chama filho ao Super-Homem. No entanto, Zaratustra é ultrapassado pelos seus próprios filhos; e ele não passa de pretendente, não é o elemento constituinte do anel do Eterno Retorno. Produz menos o Super-Homem do que assegura esta produção no homem, criando todas as condições nas quais o homem se ultra-passa e nas quais o Leão se torna Criança.



Referência: DELEUZE, GILLES, 1925-. Nietzsche. São Paulo: Martins Fontes, 1985. 87 p. (Biblioteca básica de filosofia ; 16)

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Nota porque não sou Ateu.

Porque não sou Ateu!

Recebi em graça e espontaneidade fé em Cristo Jesus. Isto se  demonstrou ir além da compreensão racional. Dizer Sim a Jesus Cristo como o Senhor e salvador da humanidade. Me faz perceber que conhecer as doutrinas,e as várias religiões*(delas eu vi as faces de Deus), saber as histórias não bastam para o lado Místico, que O Cristo VIVO É. Ainda a fé e conversão são sempre e serão o maior milagre que pode acontecer para uma pessoa na terra, pois há vida cheia de falhas e equívocos estas serão até o leito da morte uma das essências do que é o Humano.
A superação da razão para  compreensão do sagrado. E do sim cego e desconcertante de Jesus Cristo é a dimensão oculta. Do homem que na verdade carece do vazio existencial. Falha por natureza. Assim a expressão desta fé, se revela nas atitudes e comportamentos, “nas suas obras”, mas todos os homens agem, então. Só Deus pode conhecer o coração e intenção verdadeira dos Homens. Então não se preocupe muito com seu irmão. Se não com você mesmo primeiro. “Ame teu próximo como a ti mesmo”.

O inexplicável de toda história de Jesus deixem que os outros sem fé, procurem suas “não-razões”. Enquanto isto aquele que com fé guardar a boa-nova para este será dado a compreender também fragmentos da História Revelada. “O justo viverá pela Fé.”

Existem sim forças ocultas aos sentidos dos homens que regem e cuidam da realidade.
Cabe ao homem direcionar suas intenções.
E não culpar Deus. 
Pela suas má escolha.

* Religião: Busca humana de dizer e transmitir o Sagrado/Mistico.
*Todas as Religiões(ou as que fundamentam tantas outras) me apresentaram uma coisa Única: a fragilidade Humana.
 e todas elas Uma face de Deus.

*Hinduísmo- 1500 a.C
*Budismo.-560 a.C
*Confucionismo.-551 a.C
*Taoismo.-VI séc. a.C
*Xintoísmo.-500 d.C
*Religiões Africanas.:"Segundo a tradição, os deuses do "candomblé" têm origem nos ancestrais dos clãs africanos, divinizados há mais de 5 000 anos."
*Judaísmo.-1800 a.C
*Islã.-570 d. C
*Cristianismo.- a cerca de 2 mil anos permeia a História.



Referencia: GAARDER, Jostein; HELLERN, Victor; NOTAKER, Henry. O livro das religiões. São Paulo: Companhia de Bolso, 2005. 335 p.