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quarta-feira, 21 de maio de 2014

Glossário.Imagem-Movimento. Gilles Deleuze.

Sobre o Autor
Gilles Deleuze (1925) publicou inúmeros livros, entre os quais
Empirismo e Subjetividade; Nietzsche e a Filosofia; A Filosofia de Kant;
Marcel Proust e os Signos; O Bergsonismo; Diferença e Repetição; Francis
Bacon: Lógica da Sensação; Spinoza e Lógica do Sentido. Em colaboração
com Félix Guattari, escreveu Kafka, Por uma Literatura Menor, O AntiÉdipo
e Rizoma.

Glossário


Imagem-movimento: conjunto acentrado de elementos variáveis que
agem e reagem uns sobre os outros.

Centro de Imagem: hiato entre um movimento recebido e um
movimento executado, uma ação e uma reação (intervalo).

Imagem-percepção: conjunto de elementos que agem sobre um
centro, e que variam em relação a ele.

Imagem-ação: reação do centro ao conjunto.

Imagem-afecção: o que ocupa o hiato entre uma ação e uma reação,
o que absorve uma ação exterior e reage no interior.

IMAGEM-PERCEPÇÃO (a coisa).

Dicissigno: termo criado por Peirce para designar sobretudo o signo
da propo-sição em geral. Empregado aqui em relação ao caso especial do
"discurso indireto livre" (Pasolini). E uma percepção no quadro de uma
outra percepção. E o estatuto da percepção sólida, geométrica e física.

Reuma: não confundir com o "rema" de Peirce (palavra). E a
percepção daquilo que atravessa o quadro ou flui. Estatuto liquido da
percepção nela mesma.

Grama (engrama ou fotograma): não confundir com uma foto. E o
elemento genético da imagem-percepção, inseparável como tal de certos
dinamismos (imobilização, vibração, pisca-pisca, anel, repetição,
aceleração, câmera lenta, etc.). Estatuto gasoso de uma percepção
molecular.

IMAGEM-AFECÇÃO (a qualidade ou a potência).

Ícone: utilizado por Peirce para designar um signo que remete a seu
objeto em virtude de caracteres internos (semelhança). Empregado aqui
para designar o afeto enquanto expresso por um rosto, ou por um
equivalente de rosto.

QualIssigno (ou potissigno): termo criado por Peirce para designar
uma qualidade que é um signo. Empregado aqui para designar o afeto
enquanto expresso (ou exposto) num espaço qualquer. Um espaço
qualquer é ou um espaço esvaziado, ou um espaço cuja junção das partes
não é fixa ou fixada.

Dividual: o que não é nem indivisível nem divisível, mas que se divide
(ou se junta) mudando de natureza. É o estatuto da entidade, isto é, do
que é expressado numa expressão.


IMAGEM-PULSÃO (a energia).

Sintoma: designa as qualidades ou potências reportadas a um mundo
originário (definido por pulsões).

Fetiche: pedaço arrancado pela pulsão em um meio real, e
correspondente ao mundo originário.

IMAGEM-AÇÃO (a força ou o ato).

Synsigno (ou englobante): corresponde ao "sinsigno" de Peirce.
Conjunto de qualidades e de potências enquanto atualizadas num estado
de coisas, constituindo, por conseguinte, um meio real em torno de um
centro, uma situação em relação a um sujeito: espiral.

Vestígio: vínculo interior entre a situação e a ação.
Índice: utilizado por Peirce para designar um signo que remete a seu
objeto em virtude de um vínculo de fato. Empregado aqui para designar o
vínculo de uma ação (ou de um efeito de ação) com uma situação que não
é dada, mas apenas inferida, ou então que permanece equívoca e passível
de ser revirada. Distinguem-se nesse sentido índices de falta e índices de
equivocidade: os dois sentidos da elipse.

Vetor (ou linha de universo): linha quebrada que une pontos
singulares ou momentos notáveis no ápice de sua intensidade. O espaço
vetorial se distingue do espaço englobante.

IMAGEM DE TRANSFORMAÇÃO (a reflexão).

Figura: signo que, em vez de remeter a seu objeto, reflete um outro
(imagem cenográfica ou plástica); ou então que reflete seu próprio objeto,
mas invertendo-o (imagem invertida); ou então que reflete diretamente
seu objeto (imagem discursiva).

IMAGEM MENTAL (a relação).

Marca: designa as relações naturais, isto é, os aspectos sob os quais
imagens são ligadas por um hábito que faz passar de umas para as
outras. A des-marca designa uma imagem arrancada às suas relações
naturais.

Símbolo: utilizado por Peirce para designar um signo que remete a
seu objeto em virtude uma lei. Empregado aqui para designar o suporte
de relações abstratas, isto é, de uma comparação de termos
independentemente de suas relações naturais.

Opsigno e consigno: imagem ótica e sonora pura que rompe os
vínculos sensório-motores, extravasa as relações e não se deixa mais
exprimir em termos de movimento, mas se abre diretamente sobre o
tempo.



Referencia: DELEUZE, Gilles. A imagem-movimento: cinema 1. 2. ed. Lisboa: Assírio & Alvim, 2009. 329 p. (Livros de cinema ; 6)

sexta-feira, 28 de março de 2014

FOUCAULT SEGUNDO DELEUZE

 FOUCAULT SEGUNDO DELEUZE

O filósofo Gilles Deleuze, em uma de suas homenagens póstumas ao historiador Michel Foucault (1), comparou-o a um ‘novo Marx’, devido à sua forma revolucionária de entender o Poder. Para Deleuze, Foucault foi o principal teórico da contracultura, derrubando, em seu livro Vigiar e Punir (2), uma série dos postulados tradicionais do pensamento de esquerda.

O Postulado da Propriedade, segundo o qual o poder seria ‘propriedade’ de uma classe que o teria conquistado. Para Foucault, o poder não é uma apropriação mas um conjunto de estratégias materializadas em práticas, técnicas e disciplinas diversas e dispersas. “Ele se exerce mais do que se possui, não é um privilégio adquirido ou conservado da classe dominante, mas o efeito de conjunto de suas posições estratégicas”.

O Postulado do Atributo, conforme o qual o poder teria uma essência e um atributo. Segundo Foucault, o poder não tem essência, é operatório; ele também não é um atributo, mas uma relação de forças que perpassa todo campo social, envolvendo dominadores e dominados.

O Postulado da Subordinação, pelo qual, o poder, encarnado no aparelho de estado, estaria subordinado a um modo de produção ou, em última instância, a uma infra-estrutura econômica. Para Foucault, o poder é diretamente ‘produção’, ele é imanente à produção social e não comporta nenhum tipo de unificação transcendente ou centralização globalizante.

O Postulado da Localização, que entende o Estado e a esfera pública como centro do poder. Foucault, ao contrário, vê o poder microfisicamente disperso em uma multiplicidade de disciplinas e de manobras táticas: o poder não nem global nem local, mas difuso infinitesimal.

O Postulado da Modalidade, de acordo com o qual, o poder agiria ora por coerção, ora por consenso. E em Foucault, o poder produz a verdade antes de mascará-la na ideologia; o poder produz a realidade antes de forçar o seu enquadramento através da violência.

O Postulado da Legalidade, pelo qual a lei é expressão contratual do poder. Para Foucault, a lei não é uma regra normativa para regulamentar a vida social em tempos de paz, mas a própria guerra das estratégias de uma determinada correlação de forças.

Bem vistas as coisas, esses postulados ainda são insuficientes para entender a importância da revolução metodológica proposta pelo pensamento foucaultiano se o confrontarmos com outras influências. Em relação a Freud, por exemplo, também podemos perceber a queda de pelo menos dois postulados tradicionais em A Vontade de Saber (3):

O Postulado do Recalcamento, segundo o qual a sociedade reprime os desejos e instintos dos indivíduos. Para Foucault, não existe repressão sexual, o que há é uma ‘interjeição’, onde o sexo é proibido e escondido apenas para ser incitado e incessantemente revelado. Ou seja: as categorias de ‘repressão/interdição’ são substituídas pela de ‘controle’.

O Postulado Hermenêutico do Desejo, segundo o qual há, por detrás de qualquer ação humana, um sentido oculto a ser descoberto. Foucault rebela-se contra a confissão como ‘um critério de verdade’ e acredita que ela constitui uma estratégia do poder.

Pensamos, porém, que a grande contribuição filosófica de Foucault se deve ao seu diálogo intelectual com Nietzsche, de onde também podemos extrair dois postulados epistemológicos - aparentemente contrários:

O Postulado da Morte do Homem, enunciado nas últimas páginas de um de seus primeiros livros, As Palavras e as Coisas (4), quando Foucault, em uma analogia explícita à morte de Deus nietzschiana, rejeita a idéia tradicional de um sujeito cartesiano do conhecimento.

O Postulado da Ressurreição de Si, enunciado na introdução dos seus últimos livros, O Uso dos Prazeres e O Cuidado de Si (5), em que Foucault estudará a formação de um ‘sujeito do desejo’ nos gregos e nos latinos.

O tema de nascimento, morte e ressurreição do sujeito na filosofia ocidental volta a ser uma das principais discussões contemporâneas. Entretanto, são poucos os que vêem uma solução nesse processo de iniciação do social no simbólico. Para que se coloque a questão do ressurgimento do simbólico corretamente, sem confundi-la com o ‘retorno às superestruturas’ ou à subjetividade pré-científica é necessário entender como a trajetória geral do pensamento foucaultiano deu origem ao um 'Diagrama', isto é, ao conjunto simultâneo de fatores sobrepostos: o Saber, o Poder e o Si.

DIAGRAMA DE FOUCAULT SEGUNDO DELEUZE

LIVROS
PROJETOS
História da Loucura
As palavras e as coisas
O Nascimento da Clínica
ARQUEOLOGIA DO SABER
(Formas x forças)
Vigiar e Punir
Vontade de Saber
Microfísica do Poder (coletânea brasileira)
GENEALOGIA DO PODER
(ou o lado de fora)
O Uso dos Prazeres
Cuidado de Si
ESTÉTICA DA EXISTÊNCIA
(ou lado de dentro)

            Em seus primeiros trabalhos, Foucault irá se definir pelo método arqueológico e estudará prioritariamente o ‘saber’. Entretanto, este saber será sempre um duplo de uma determinada correlação de forças. Daí o primado do ‘dizer’ sobre o ‘ver’, dos enunciados sobre as formas não-discursivas, uma vez que a linguagem tem um sentido e este sentido é politicamente imposto. Assim, para desvendar o verdadeiro sentido deste saber duplicado seria necessário construir uma genealogia do poder. E este projeto foi iniciado em Vigiar e Punir. O aparecimento da instituição carcerária e do direito penal são o pano de fundo para a construção de uma analítica do poder. Tratava-se então da ‘emissão e distribuição de singularidades, dos vetores não estratificados que agem através do saber, vindos do lado de fora’.

            Já na conclusão de A Vontade de Saber, Foucault esboça pela primeira vez uma explicação geral de todo seu trabalho anterior. O manicômio, a clínica, o presídio e toda arqueologia descontínua das instituições se explicariam por uma mudança na forma através do qual o poder se exerce: do poder baseado na morte e na punição exemplar para o poder das punições simbólicas e administrativas. A cumplicidade involuntária de Foucault com o poder foi denunciada impiedosamente por Jean Baudrilard (6). Para ele, ao descrever o poder como algo que engloba todas as resistências, Foucault teria anulado qualquer possibilidade de mudança estrutural de nossa sociedade.

            E, nos últimos livros, mesmo sem responder diretamente, Foucault adota uma mudança importante: o ressurgimento da subjetividade, do ‘lado de dentro’, não como uma entidade cognoscente, mas como uma auto-referência diante do poder e dos seus duplos, os discursos. O Uso dos Prazeres e O Cuidado de Si, fariam parte de uma terceira e última etapa do filósofo, em que seu objeto não seria mais o saber ou o poder, mas a procura de um ‘lado de dentro’. Mas talvez, a trágica doença responsável pela morte do filósofo, seja também a causa de uma relação de afeto consigo mesmo, de uma auto-referência discursiva diante do poder. Foi a morte que despertou a consciência de Si.

            Deleuze sustentará que o Si no final da História da Sexualidade não é um retorno ao sujeito antropocêntrico do conhecimento assassinado em As Palavras e as Coisas, mas sim de uma evolução 'para dentro', uma 'dobra' que amplia ainda mais o campo de investigação foucaultiano da crítica política à autoreferência ética. Também podemos observar a evolução esta mudança ainda, amplificando o período entre o primeiro é o último volumes da História da Sexualidade, através do desenvolvimento de suas aulas anuais no College de France (7).

            Observa-se que, desde 76, Foucault começa a ampliar o campo de sua investigação, não só passando do estudo das instituições para sociedade como um conjunto, mas também, a partir dos anos 80, ampliando o período histórico de seus estudos e discutindo práticas éticas clássicas
e latinas como formadoras de nossa concepção de verdade atual.

ANO
TEMA DA AULA
EMENTA DO PRÓPRIO FOUCAULT
1970/71
A vontade de saber
Configuração geral do estudo da penalidade na França, no século XIX e o início do psiquiatria penal.
1971/72
Teorias e instituições penais
Seguindo o estudo das práticas e conceitos médico-legais, o caso do assassino Pierre Rivière é analisado em especial.
1972/73
A sociedade punitiva
A prisão como paradigma de organização da cidade moderna: o panoptismo.
1973/74
O poder psiquiátrico
A história da instituição e a arquitetura hospitalares.
1974/75
Os anormais
Análise das transformações da perícia psiquiátrica dos casos de monstruosidade até ao diagnóstico dos 'anormais'.
1975/76
"É preciso defender a sociedade"
Estudo da categoria de 'indivíduo perigoso' na psiquiatria criminal e nas teorias de responsabilidade civil do séc. XIX
1976/77
Não houveram Seminários
Não houveram Seminários
1977/78
Segurança, território e população
A passagem do estado territorial para o estado da população e o aparecimento de novos objetivos de governo.
1978/79
Nascimento da biopolítica
A racionalização das práticas de governo do estado moderno em relação à saúde pública e à vida social das cidades.
1979/80
Do governo dos vivos
O pensamento liberal, a confissão, o exame de consciência - o governo dos homens 'livres' e os mecanismos disciplinares
1980/81
Subjetividade e verdade
Como o sujeito de conhecimento se constitui em diferentes contextos históricos: as técnicas de si.
1981/82
A hermenêutica do sujeito
Para entender a idéia de 'governo de si', discute-se as práticas éticas clássicas e latinas, anteriores ao cristianismo.

            Tendo sempre a filosofia de Nietzsche como pano de fundo, houveram ainda vários encontros e participações entre os dois grandes pensadores franceses: o prefácio de Foucault ao Anti-Édipo (8), a conversa reproduzida na coletânea brasileira intitulada Microfísica do Poder (9). Porém, o grande encontro de Foucault com Deleuze é póstumo. No 'post-scriptum sobre as sociedades de controle', último capítulo do livro Conversações (10), Deleuze proclama o fim das instituições disciplinares e de confinamento estudadas por Foucault (a escola, a fábrica, o presídio, o hospital, o exército) e o aparecimento de novos dispositivos de controle 'em redes a céu aberto'.


PHYLLUM DO PODER POR FOUCAULT (SEGUNDO DELEUZE)
Sociedades de soberania
Poder emana do direito de morte do rei
Sociedades disciplinares
Poder a partir do confinamento e duração
Sociedades de controle
Poder baseado na moratória ilimitada (dívida infinita)

            Para Deleuze, o regime de moratória ilimitada mais do que levar a culpa (e o ressentimento) dos indivíduos contemporâneos a um estatuto de responsabilidade social, vai estabelecer um novo tipo de funcionamento do poder, ainda mais introjetado e subliminar que a disciplina: o controle contínuo a partir de um sistema númerico de cifras e senhas. Mas, ao contrário de muitos ciberfanáticos atuais, Deleuze não considera a sociedade de controle globalizado melhor que as antigas sociedades disciplinares (embora haja avanços: o atendimento médico domiciliar deve ser melhor que o hospital, os serviços comunitários para delitos leves devem ser melhores que o encarceramento, a empresa e a participação nos lucros são melhores que a fábrica e o salário). Para ele, o importante é descobrir formas de resistência a este novo poder .

            Dos diversos tipos de retorno que a cibercultura contemporânea pode significar (retorno ao arcaico, ao tradicional, ao simbólico), o mais interessante e menos visível é o regresso a um ‘Uso temperante dos Prazeres’. Porém, enquanto para os gregos a idéia de temperança era prescritiva e não normativa, nossa relação compulsiva com o consumo é involuntária. Aliás, alguém uma vez definiu a condição pós-moderna como a proibição do consumo estimulado. Deveras, o mesmo que Foucault disse sobre a repressão ao sexo serve também para o consumo. Talvez com a liberação sexual da contracultura, e, mais recentemente a AIDS, o centro da correlação de forças tenha se deslocado da genitalidade para a oralidade. Na pós-contracultura, as ginásticas e as dietas voltam a desempenhar um papel central no cotidiano, as asceses e os regimes corporais se colocam novamente. Somos hipnosugestionados a consumir pelos meios de comunicação e proibidos de fazê-lo por diferentes níveis de autoridade.

            Relevante neste sentido, é a questão das drogas e da dependência química. A noção foucaultiana de ‘modo de sujeição’ nos sugere que o poder tornou-se mais bioquímico que microfísico e que a principal estratégia atual consiste, na produção hipócrita de uma sociedade de viciados. Álcool, nicotina, cafeína, açúcar, remédios, mas, sobretudo, ilusões. Eis a mais cara e menos proibida das drogas: a TV. Aliás, o consumo de imagem e som é a única coisa gratuita em nossa sociedade. Ele interage diretamente com o universo alimentar formando um conjunto de necessidades e, principalmente, mantendo o indivíduo em níveis cada vez mais altos de stress emocional. Após séculos de sujeição sexual imposta pelo cristianismo, os mecanismos de poder geram agora uma nova tecnologia de controle: as formas psicoquímicas de subjetivação do sentimento de morte. A dependência química e as redes telemáticas fazem parte de uma única estratégia.

               
A morte pós-moderna é imanente a vida. Ela não é uma ameaça eventual, mas uma presença constante a cada segundo. E a antiga moral se tornou uma Anatomia do Ruído de nossas consciências. Somos comparáveis aos rádios e nossa mente, ao controle de sintonia. Por isso, os sete pecados capitais, mais do que compulsões do inconsciente, tornaram-se 'limites-meta' - ou, na linguagem corrente, 'couraças corporais', 'vibrações desequilibradas das sete energias' e outras imagens das freqüências agenciadas em rede.


Hoje existem várias leituras da obra de Foucault valorizando seus diversos méritos históricos e metodológicos (a nova história de Paul Veyne, por exemplo), mas apenas a leitura deleuziana atualiza a abordagem de Foucault para vida contemporânea e seus problemas atuais (consumo, dependência química e psicológica, artificialização do corpo, etc). Ou seja - como profetizou o próprio Foucault: 'o século será deleuziano' .

quinta-feira, 27 de março de 2014

I-Anti -Édipo:Uma Introdução À Vida Não-Fascista; Por Michel Foucault

Durante os anos 1945-65 ( penso na Europa ), havia uma maneira correta de pensar , um certo estilo discurso politico , uma certa ética do intelectual . Era preciso estar na intimidade com Marx , não deixar seus sonhos vagabundos  muito longe de Freud , e tratar os sistemas dos signos - O significante - como o maior respeito.Tais eram as três condições que tornavam aceitável esta ocupação singular que é o fato de escrever e de enunciar uma parte da verdade sobre si mesmo e sua época.
Depois viriam cinco anos breves anos., apaixonados, cinco anos de júbilo e de enigma.às postar do nosso mundo, o Vietnã, evidentemente , e o primeiro frande golpe levado aos poderes constituídos. Mas nos interiores de nosso muros, o que se passavam a  exatamente ? Uma Amálgama de política revolucionária´naria  e anti-repressiva? Uma guerra levada em duas frentes -a exploração social e a repressão psíquica ? Uma elevação da libido modulada pelo conflito de classes? É possível. Seja o que for , é por esta interpretação familiar  e dualista que se pretendeu explicar os acontecimentos deste anos . O sonho que  entre a I Guerra  Mundial e o acontecimento  do Fascismo , havia tido sob seus charme as Frações mais utopistas Da Europa -a Alemanha de Wilhem Reich e a França dos surrealistas -Havia retornado para abarcar a própria realidade ? Marx e Freud Iluminados pela mesma incandescência.
Mas foi bem isto que se passou?Tratou-se de uma retomada do projeto utópico dos anos 30, desta vez à escala da prática histórica ?Ou houve ao contrário , um movimento em direção às lutas politicas que não se conformavam maios com  o modelo prescrito pela tradição marxista. Em direção de uma experiencia e uma tecnologia do desejo que não eram mais freudianas? certamente Brandiram-se os velhos estandartes , mas o combate se deslocou e ganhou novas zonas.
O Anti-Édipo mostra , em primeiro lugar, a extensão do terreno coberto.Mas é preciso muito mais . ele não se dissipa no denigrimento dos velhos ídolos , mesmo se ele se diverte muito com Freud . E sobretudo , nos incita a ir mais longe.
Seria um erro ler o Anti-édipo como a nova referencia teórica  (sabe, esta famosa teoria que nos anunciaram tantas vezes :aquela que vai englobar, aquela que é absolutamente totalmente e tranquilizadora, aquela que , nos asseguram , da qual  - temos tanta necessidade , nesta época de dispersão e de especialização, de onde - a esperança desapareceu). Não é preciso procurar uma -filosofia- nesta profusão extraordinária de noções e de conceitos-surpresa: O Anti-Édipo não é um Hegel  escandaloso. A melhor maneira , creio eu, de ler O Anti-Édipo é abordando-o com uma arte no sentido em que se fala da -Arte erótica- , por exemplo. Apoiando-se sobre as noções aparentemente abstratas de multiplicidades , de fluxos, de dispositivos e de alternativas , a analise da relação do desejo com a realidade  e com a -Máquina- capitalista traz respostas a questões  concretas . Questões que se preocupam menos com o -porque- das coisas que com seu -Como- .Como se introduz o desejo no pensamento , no discurso, na ação?  Como o desejo pode e deve despender suas forças na esfera do politico e de intensificar no processo d mudança da a ordem estabelecida? Ars erotica, ars theorethica , ars politica. 
Dai os três adversários com os quais o anti -Édipo se encontra confrontando. Três adversários que não tem a mesma força que representam graus diversos de ameaça , e que o livro combate por diferentes meios.
1-Os ascetas políticos, os militantes morosos , os terroristas da teoria , aqueles que queriam preservar a ordem pura da politica e do discurso politico. Os Burocratas da revolução e os funcionários  da verdade.
2-Os deploráveis técnicos do desejo - os psicanalistas e semiólogos que registraram cada signo e sintoma e que querem reduzir a organização múltipla do desejo à lei binária  da estrutura e da falta.
3-Enfim, o inimigo maior, o adversário estratégico (já que o oposição de Anti-Édipo a seus outros inimigos constitui antes um engajamento tático): o fascismo .E não apenas o fascismo histórico de  Hilher e Mussoline que se soube tão bem  mobilizar e utilizar  o desejo de massas - mas também o fascismo que está em todos nós , que assombra nosso espirito e nossas condutas cotidiana as , o fascismo que nos amar o poder, desejar esta coisa mesma que nos domina e  nos explora.
Eu diria que O Anti-Édipo ( que seus autores me perdoem ) é um livro ético , o primeiro livro de ética que foi escrito na França desde há muito tempo (é talvez a razão pela qual o seu sucesso não se limitou a um -Leitorado Particular-: ser anti-édipo tornou-se um estilo  e vida , um modo de pensamento e de vida). Como fazer para não crê ser um militante revolucionário ? Como Desembaraçar nosso discursos e nosso atos, nosso coração e nosso prazeres do fascismo? Como caçar o fascismo que se instaurou em nosso comportamento ? Os moralistas cristãos procuravam os traços de carne  que estavam alojados nas dobras da alma . Deleuze e Guattari , por sua parte, vigiam os traços mais ínfimos do fascismo no corpo.
Rendendo uma modesta homenagem a S.Francisco de Salles*,pode-se dizer que o Anti-Édipo é uma introdução à vida não-fascista.
Esta arte de viver, contrária a todas as formas de fascismo quer estejam já instaladas ou próximas do ser, se faz acompanhar de um certo numero de princípios essências , que eu resumiria com se segue , se tentasse fazer deste grande livro um manual ou um guia da vida cotidiana.
-libere a ação politica de toda forma paranoica unitária e totalizante.
-faça crescer a ação , o pensamento e os desejos por proliferação , justaposição e disjunção, antes que por submissão e hierarquização piramidal.
-libere-se das velhas  categorias do negativo (a lei, o limite, a castração, a lacuna) que o pensamento ocidental por tanto tempo manteve sagrado enquanto forma de poder e de modo de acesso à realidade .Prefira o que é positivo e múltiplo , a diferença à uniformidade , considere que o que é produtivo não é sedentário, mas nômade.
-Não imagine  que precise ser triste para ser militante, mesmo se a coisa que combatemos é abominável.É  o elo do desejo á realidade ( e não sua fuga nas formas de representação) que possui uma força revolucionária.
-Não utilize o pensamento para dar a uma pratica politica um valor de verdade ;nem a ação politica para desacreditar um pensamento , como se ele não fosse se não pura especulação . Utilize a pratica politica como um intensificador ,e a analise como um multiplicador das formas e dos domínios de intervenção  da ação politica.
-Não exija da politica que ele a restabeleça os direitos dos indivíduos, tais como a filosofia os definiu.O individuo é produto do poder.O que é preciso é -Desindividualizar-pela  pela multiplicação e pelo deslocamento , pelo agenciamento de combinações diferentes.O grupo não deve ser o elo orgânico que une os indivíduos hierarquizados, mas um constante -Desindividualização-.
-Não se apaixone pele poder.
Poder-se ia mesmo dizer que Deleuze e Guattari gostam tão do poder que procuram neutralizar os efeitos do poder ligados a seu próprio discurso. Dai os Jogos e armadilhas que se encontram um pouco em todo o livro , e que fazem de sua tradução uma verdadeira prova de força. Mas não são as armadilhas familiares da retórica , aquelas que procuram seduzir o leitor sem que ele esteja consciente da manipulação,e acabam por ganhá-lo para a causa dos autores contra a sua vontade. As armadilhas de O Anti-Édipo são aquelas do humor :tantos convenientes a se deixar expulsar , a autorizar o adeus  ao livro em fechando a porta . O livro leva muitas vezes a pensar que ele é senão humor  e jogo  lá onde, no entanto , qualquer coisa de essencial acontece,qualquer coisa que é da maior seriedade: caça a todas  as formas de fascismo ,deste aquele s, colossais , que nos  circundam e nos comprimem, até as formas pequenas que fazem a amarga tirania de nossas vidas cotidianas.

*Homem da igreja do sec.XVII, que foi cardeal de Genebra.É conhecido por sua Introdução a vida devota.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Nota Biográfica - Filósofo em questão Gilles Deleuze (1925-1995)

Gilles Deleuze nasceu em 18 de janeiro de 1925 , em Paris numa família de classe media . Perdeu seu único irmão , mais velho do que ele, durante a luta contra ocupação nazista. Gilles se apaixonou-se por literatura , mas descobriu a filosofia nas aulas do professor Vial , no liceu  Carnot , em 1943 , o que levou à Sorbonne   no ano seguinte , onde obeteve o diploma de Estudo s Superiores em 1947 com um estudo sobre David Hume (publicado no liceu de Amiens, no de Orleans e no Louis-Le-Ganrand, em Paris.Já casado com a tradutora Fanny Grandjouan em 1956, com quem teve dois filhos, trabalhou como assistente em História da Filosfia na Sorbone entre 1957 e 1960. Foi professor pesquisador do CNRS até 1964, ano que passou a lecionar na faculdade de Lyon , Lá permanecendo até 1969. Alem de Jean Paul Sartre, teve como profesores Ferdinand Alquipe, Georges canguilhem, Maurice de Gandillac,Jean Hyppolite e Jean Wahl. Manteve-se amigo dos escritores Michel Tournier , michel butor, jean-pierre faye, além dos irmãos jacques e Claude Lanz mann e de O.R d'Allones, J-P Bamberguer e François Chatêlet. Em 1962 teve seu primeiro encontro com Michel Foucault, a quem muito admirava e com quem teve trocas teóricas e politicas. A partir de 1969, por forças dos desdobramentos de Maio de 68, firmou uma sólida produtiva relação com Felix Guattari, de quem resultaram livros fundamentais como  O Anti Edipo (1972), Mil platôs (1980) ou o que é Filosofia?(1991). Em 1995, quando o corpo já doente não pode sustentra a vitalidade de seus encontros, o filósofo decide conceber a própria morte: seu suicidio ocorre em Paris a 4 de Novembro desse ano. O Conjunto de sua Obra- em que se destacam ainda os livros Diferença e Repetição (1968), Logica do Sentido (1969), Imagem e Movimento(1983) Imagem e Tempo (1985), Critica e Clinica (1993), entre outros - deixa ver, para alem da pluralidade de conexões que teceu entre filosofia e seu "fora , a impressionante capacidade de trabalho do autor , bem como sua disposição escrita conjunta , e até coescrita , como é o caso de livros assinalados com Guattari.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Foucault , Deleuze: um dialogo fecundo e ininterrupto

Foucault , Deleuze: um dialogo fecundo e ininterrupto

Gilles Deleuze e Michel Focault encontraram-se em 1963. Era  a véspera da aparição de Nietzsche.Michel Foucault queria trazer Gilles Deleuze como professor para a Universidade  de Clemont-Ferrand, onde ele mesmo ensinava. A coisa não se realizou, tendo o ministério da Educação preferido nomear Roger Garaudy para este cargo. Mais tarde, em 1969, Gilles Deleuze viria a substituir Michel Focault na Universidade de  Vincennes –PRIS VIII.
Uma profunda amizade, misturada de um grande respeito, ligará os dois homens, cada um nunca deixando d estar atento ao trabalho do outro onde ele sabia encontra ecos do seu próprio pensamento. Em novembro de 1970, Michel Foucault  fará ,na revista –Critique-, uma exposição de Diferença e Repetição e Lógica do Sentido:, escrevia Michel Foucault , “de dois livros que me parecem grandes entre os grandes.Tão grandes, sem duvida, que é difícil falar deles  e que poucos o fizeram. Creio que durante muito tempo esta obra pairará sobre nossas cabeças, em ressonâncias enigmáticas com a de Klossowski, outro sinal maior e marcante. Mas um dia talvez, o século será Deleuziano”. E, numa note em Surveiller et Punir  (p.20) Michel Foucault  escrevia:  “de qualquer forma , eu não saberia medir em referência ou citações o que este livro deve a Gilles Deleuze e a seu trabalho com Felix Guattari”. Ainda na revista –Critique lugar privilegiado do seu diálogo, Gilles Deleuze fará a exposição de Arqueologia do Saber –“um novo arquivista”- e de Vigiar e Punir – “escritor ou não, um novo cartógrafo”.
A proximidade de Gilles Deleuze e Michel Focault eram também, política: na véspera de maio de 68 , Gilles Deleuze juntar-se-á ao grupo de informações sobre as Prisões  (G.I.P) principalmente animado por Michel Foucault. E numerosas fotos as apresentam juntos nas manifestações de intelectuais contra abusos policiais e judiciários.
Momento privilegiado desta conveniência : a entrevista aparecida em 1972, no número de “L’Arc” consagrando a Gilles Deleuze onde os dois filósofos, cada um no seu próprio estilo , analisam a transformação das relações teórico-práticas características da nova conjuntura política.
Este dialogo necessário devia prosseguir depois da morte de Foucault (1984).Gilles Deleuze consagra-lhe –á o seu penúltimo curso e publicará, em 1987, o livro maior sobre Michel Foucault : é, diz ele mesmo, o livro que ele teria gosto de escrever com ele.
*Artigo traduzido e reiterado da revista –Magazine litteraire- n º 257,set/ 88.


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A vida como uma experiência

"O verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos pela primeira vez um olhar inteligente sobre nós mesmos”
Marguerite Yourcenar 

O projeto

A proposta deste projeto seria de revelar os falsos Conceitos e percepções de que as Drogas geram nos Indivíduos: Dependentes químicos.

Dependência:


1. Estado ou qualidade de dependência, subordinação, sujeição.
Dep.Psiquica. Med. Compulsão a consumir certos medicamentos ou drogas porque produzem um efeito agradável ou suprem problemas como ansiedade, depressão.
“Fármaco dependência”.
“Dependência Química”.
“Alcoolista”.
“Toxicômano”.
“Drogaditos”.

  É uma condição física e psicológica causada pelo consumo constante de substâncias psicoativas. Devido a constante utilização desses tipos de drogas, o corpo humano torna-se cada vez mais dependente dos mesmo, tendo como consequência sintomas que afetam o sistema nervoso. Quando o indivíduo deixa de consumir, tem a sensação de ressaca, considerado um dos principais motivos que impedem o abandono das drogas por parte dos dependentes.
   A dependência varia consoante o vício e a frequência de consumo do individuo. Uma das áreas mais afetadas de um dependente químico é a psicológica, alterando bruscamente a sua maneira de viver e a sua interação com a sociedade.
   A dependência química é considerada uma doença crônica, que é causada pela necessidade psicológica da pessoa de buscar o prazer e evitar sensações desagradáveis, causadas pela abstinência.
A mudança é quando o sujeito. Olha antes de tudo para sua “alma”. Com a maior franqueza. E com o verdadeiro desejo de mudar de caminho. Voltar a escolher. Tornar-se responsável por suas escolhas. Sem julgamento de Certo e errado. Afinal ele já experimentou de tudo. Mas tudo para uma vida. É a saída?Aonde se quer chegar?Quais é as necessidades Básicas?

   Quando mais um Dependente de droga. Conhece sobre o assunto droga/ Uso/ Tratamento, mas ele pode: ESCOLHER/TRAÇAR NOVA METAS/VIVER OUTRAS INTENSIDADES/TORNA-SE A SI/BUSCAR RELACIONAMENTOS AUTÊNTICOS/RESPEITAR SEUS LIMITES.

Deleuze e as Drogas

“É curioso que a palavra "fé" sirva para designar um plano que vira imanência. Mas, se o cavaleiro é o homem do devir, há cavaleiros de toda espécie. Não existe até cavaleiros da droga, no sentido em que a fé é uma droga, muito diferente do sentido em que a religião é um ópio? Esses cavaleiros pretendem que a droga, em condições de prudência e de experimentação necessárias, é inseparável da instauração de um plano. E nesse plano, não só conjugam-se devires-mulher, devires-animais, devires moleculares, devires-imperceptível, mas o próprio imperceptível torna-se um necessariamente percebido, ao mesmo tempo em que a percepção torna-se necessariamente molecular: chegar a buracos, microintervalos entre as matérias, cores e sons, onde se precipitam as linhas de fuga, linhas do mundo, linhas de transparência e de secção”.

“Mudar a percepção; o problema está colocado em termos corretos, porque ele dá um conjunto pregnante "da" droga, independentemente das distinções secundárias (alucinatórias ou não, pesadas ou leves, etc.). Todas as drogas concernem primeiro as velocidades, e as modificações de velocidade. O que permite descrever um agenciamento Droga, sejam quais forem as diferenças, é uma linha de causalidade perceptiva que faz com que: 1) o imperceptível seja percebido, 2) a percepção seja molecular, 3) o desejo invista diretamente a percepção e o percebido. Os americanos da beat generation já tinham se engajado nessa via, e falavam de uma revolução molecular própria à droga.”

“mais uma vez, o problema está bem colocado quando se diz que a droga faz perder as formas e as pessoas, faz funcionar as loucas velocidades de droga e as prodigiosas lentidões do após-droga, acopla umas às outras como lutadores, dá à percepção a potência molecular de captar microfenômenos, microoperações, e dá ao percebido a força de emitir partículas aceleradas ou desaceleradas, segundo um tempo flutuante que não é mais o nosso, e hecceidades que não são mais deste mundo: desterritorialização, "eu estava desorientado..." (percepção de coisas, de pensamentos, de desejo, onde o desejo, o pensamento, a coisa invadiram toda a percepção, o imperceptível enfim percebido). Nada mais que o mundo das velocidades e das lentidões sem forma, sem sujeito, sem rosto. Nada mais que o ziguezague de uma linha, como "a correia do chicote de um carroceiro em fúria", que rasga rostos e paisagens. Todo um trabalho rizomático da percepção, o momento em que desejo e percepção se confundem.”

“Esse problema de uma causalidade específica é importante. Enquanto se invoca causalidades mais gerais ou extrínsecas, psicológicas, sociológicas, para dar conta de um agenciamento, é como se não se dissesse nada. Hoje instaurou-se um discurso sobre a droga que só faz agitar generalidades sobre o prazer e a infelicidade, sobre as dificuldades de comunicação, sobre causas que vêm sempre de outra parte. Mais finge-se compreender um fenômeno quanto mais se é incapaz de captar sua causalidade própria em extensão. Sem dúvida, um agenciamento jamais comporta uma infra-estrutura causai. Ele comporta, no entanto, e no mais alto ponto, uma linha abstrata de causalidade específica ou criadora, sua linha de fuga, de desterritorialização, que só pode efetuar-se em relação com causalidades gerais ou de uma outra natureza, mas que não se explica absolutamente por elas. Nós dizemos que os problemas de droga só podem ser captados no nível onde o desejo investe diretamente a percepção, e onde a percepção.A droga aparece então como o agente desse devir. É aí que haveria uma fármaco-análise que seria preciso ao mesmo tempo comparar e opor à psicanálise, pois em relação a esta há motivos para fazer dela ao mesmo tempo um modelo, um oposto e uma traição. A psicanálise, com efeito, pode ser considerada como um modelo de referência porque, em relação a fenômenos essencialmente afectivos, ela soube construir o esquema de uma causalidade própria, distinto das generalidades psicológicas ou sociais ordinárias. Mas esse esquema causai permanece tributário de um plano de organização que nunca pode ser captado por si mesmo, sempre concluído de  outra coisa, inferido, subtraído ao sistema da percepção, e que recebe precisamente o nome de Inconsciente. O plano do Inconsciente permanece, portanto, um plano de transcendência, que deve caucionar, justificar a existência do psicanalista e a necessidade de suas interpretações. Esse plano do Inconsciente opõe-se molarmente ao sistema percepção-consciência e, como o desejo deve ser traduzido para esse plano, ele próprio é acorrentado a robustas molaridades como à face oculta do iceberg (estrutura de Édipo ou rochedo da castração). Então, quanto mais o imperceptível opõe-se ao percebido numa máquina dual, mais ele permanece imperceptível. Tudo muda num plano de consistência ou de imanência, que se encontra necessariamente percebido por conta própria ao mesmo tempo em que é construído: a experimentação substitui a interpretação; o inconsciente tornado molecular, não figurativo e não simbólico, é dado enquanto tal às micropercepções; o desejo investe diretamente o campo perceptível onde o imperceptível aparece como o objeto percebido do próprio desejo, "o nãofigurativo do desejo".

"O inconsciente não designa mais o princípio oculto do plano de organização transcendente, e sim o processo do plano de consistência imanente, à medida que ele aparece em si mesmo ao longo de sua construção, pois o inconsciente está para ser feito e não para ser reencontrado. Não há mais uma máquina dual consciência-inconsciente, porque o inconsciente está, ou melhor, é produzido aí onde a consciência é levada pelo plano. A droga dá ao inconsciente a imanência e o plano que a psicanálise não parou de deixar escapar (pode ser, desse ponto de vista, que o célebre episódio da cocaína tenha marcado uma virada, forçando Freud a renunciar a uma aproximação direta do inconsciente). Mas, se é verdade que a droga remete a essa causalidade perceptiva molecular, imanente, resta toda a questão de saber se ela consegue efetivamente traçar o plano que condiciona seu exercício. Ora, a linha causal da droga, sua linha de fuga, não para de ser segmentarizada na forma, a mais dura possível, da dependência, do dopar-se, da dose e do traficante.”

“As desterritorializações permanecem relativas, compensadas pelas reterritorializações as mais abjetas, de modo que o imperceptível e a percepção não param de perseguir-se ou de correr um atrás do outro sem nunca acoplar-se de fato. Em vez de os buracos no mundo permitirem que as próprias linhas do mundo fujam, as linhas de fuga enrolam-se e põem-se a rodopiar em buracos negros, cada drogado em seu buraco, grupo ou indivíduo, como um caramujo. Caindo mais no buraco do que no barato. As micropercepções moleculares são recobertas de antemão, conforme a droga considerada, por alucinações, delírios, falsas percepções, fantasmas, surtos paranóicos, restaurando a cada instante formas e sujeitos, como fantasmas ou duplos que não parariam de obstruir a construção do plano.”


“Em vez de fazer um corpo sem órgãos suficientemente rico ou pleno para que as intensidades passem, as drogas erigem um corpo vazio ou vitrificado, ou um corpo canceroso: a linha causai, a linha criadora ou de fuga, vira imediatamente linha de morte e de abolição. A abominável vitrificação das veias, ou a purulência do nariz, o corpo vítreo do drogado. Buracos negros e linhas de morte, as advertências de Artaud e de Michaux se juntam (mais técnicas, mais consistentes do que o discurso sócio psicológico, ou psicanalítico, ou informacional, dos centros de assistência e de tratamento). Artaud dizendo: você não evitará as alucinações, as percepções errôneas, os fantasmas descarados ou os maus sentimentos, como tantos buracos negros nesse plano de consistência, pois tua consciência irá também nessa direção cheia de armadilhas56. Michaux dizendo: você não será mais senhor de tuas velocidades, você entrará numa corrida louca do imperceptível e da percepção, que gira mais em falso ainda porque tudo aí é relativo”.

“Você irá inchar de si mesmo, perder o controle, estar num plano de consistência, num corpo sem órgãos, mas exatamente no lugar onde você não parará de deixá-los escapar, esvaziar, e de desfazer o que você faz,
farrapo imóvel. Que palavras mais simples do que "percepções errôneas" (Artaud), "maus sentimentos" (Michaux), para dizer no entanto a coisa mais técnica: como a causalidade imanente do desejo, molecular e perceptiva, fracassa no agenciamento-droga. Os drogados não param de recair naquilo de que eles queriam fugir: uma segmentaridade mais dura à força de ser marginal, uma terrritorialização mais artificial ainda porque ela se faz sobre substâncias químicas, formas alucinatórias e subjetivações fantasmáticas. Os drogados podem ser considerados como precursores ou experimentadores que retraçam incansavelmente um novo caminho de vida; mas mesmo sua prudência não tem as condições da prudência. Então, ou eles recaem na coorte de falsos heróis que seguem o caminho conformista de uma pequena morte e um longo cansaço. Ou então, pior ainda, eles só terão servido para lançar uma tentativa que só pode ser retomada e aproveitada por aqueles que não se drogam ou que não se drogam mais, que retificam secundariamente o plano sempre abortado da droga, e descobrem pela droga o que falta à droga para construir um plano de consistência. Seria o erro dos drogados o de partir do zero a cada vez, seja para tomar droga, seja para abandoná-la, quando se precisaria partir para outra coisa, partir "no meio", bifurcar no meio? Conseguir embriagar-se, mas com água pura (Henry Miller). Conseguir drogar-se, mas por abstenção, "tomar e abster-se, sobretudo abster-se", eu sou um bebedor de água (Michaux). Chegar ao ponto onde a questão não é mais "drogar-se ou não", mas que a droga tenha mudado suficientemente as condições gerais da percepção do espaço e do tempo, de modo que os não-drogados consigam passar pelos buracos do mundo e sobre as linhas de fuga, exatamente no lugar onde é preciso outros meios que não a droga. Não é a droga que assegura a imanência, é a imanência da droga que permite ficar sem ela. É covardia, coisa de aproveitador, esperar que os outros tenham se arriscado? Antes retomar uma empreitada sempre pelo meio, mudar seus meios. Necessidade de escolher, de selecionar a boa molécula, a molécula de água, a molécula de hidrogênio ou de hélio. Não é uma questão de modelo, todos os modelos são molares: é preciso determinar as moléculas e as partículas em relação às quais as "vizinhanças" (indiscernibilidade, devires) engendram-se e se definem. O agenciamento vital, o agenciamento-vida, é teoricamente ou logicamente possível com toda espécie de moléculas."

"Não se trata de conformar-se a um modelo, mas de insistir numa linha. Os drogados não escolheram a boa molécula ou a boa linha. Toscos demais para captar o imperceptível, e para devir imperceptíveis, eles acreditaram que a droga lhes daria o plano, quando é o plano que deve destilar suas próprias drogas, permanecer senhor das velocidades e das vizinhanças.”

REFERENCIA: DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1995. 5 v. (Coleção trans)

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Dicionário dos Principais Personagens de Nietzsche por Deleuze

Águia ( e Serpente ) - São os  da animais de Zaratustra. A serpente está enrolada em torno do pescoço da águia. Ambos exprimem,pois, o eterno Retorno como aliança, como anel, como esponsais do casal divino Dionísio-Ariana. Mas exprimem-no  de maneira animal, como uma certeza imediata ou uma evidência natural. ( A essência do eterno retorno escapa-lhes, quer dizer , o seu caráter seletivo, tanto do ponto de vista do pensamento como do Ser).Por isso, fazem do eterno Retorno uma tagarelice, uma omissão. e ainda mais : a serpente desenrolada exprime o que há  de insuportável e de impossível no eterno Retorno, enquanto o tornamos como uma certeza natural segundo a qual .

Burro(ou Camelo) - São os animais do deserto (niilismo).Carruagem, carregam com fardos até o fim do deserto. O Burro tem dois defeitos: o seu Não é um falso não , um do ressentimento. E ainda mais, o seu Sim (I-A,I-A) é um falso sim. Julga que afirmar significa carregar,assumir. O Burro é , em primeiro lugar, o animal cristão: carrega com o peso dos valores ditos < superiores a vida>. Depois da morte  de Deus , carrega com o peso dos valores < humanos>, pretende assumir < o real como ele é>: por conseguinte , ele é novo deus dos . de uma ponta à outra, o Burro é a caricatura e a tradição do Sim dionisíaco;afirma, mas só afirma os produtos do niilismo. As suas longas orelhas opõe-se, pois, ás orelhas pequenas, redondas e labirínticas de Dionísio e de Ariana.

Aranha ( ou Tarântula ) - É o espirito de vingança ou de ressentimento. O seu poder de contágio é o seu  veneno. A sua vontade é uma vontade de punir e julgar.A sua arma é o fio, o fio da moral. A sua pregação é a igualdade ( que toda a gente se torne semelhante a si  mesmas!). 

Ariana ( e teseu) - É a Anima. Ela foi amada por teseu e amou-se. Mas então, precisamente, ela segurava o fio, era um pouco Aranha, fria criatura do ressentimento. Teseu é o herói, uma imagem do homem superior. Possui todas as inferioridades do : carregar, assumir, não saber renunciar , ignorar a ligeireza . Enquanto Ariana ama Teseu, e é amada por ele, a sua feminidade continuada aprisionada , ligada pelo fio. Mas quanto Dionísio-Touro se aproxima, ele aprende qual é a verdadeira afirmação, a verdadeira ligeireza. Torna-se a Anima afirmativa , que diz sim a Dionísio. Ambos constituem  o casal que constitui o eterno Retorno e engendram o Super-Homem. Porque:.

Bobo (Macaco, Anão ou Demônio)- É a criatura de Zaratustra. Imita-o, mas como a lentidão imita a ligeireza.Ele também representa o maior perigo de Zaratustra: A traição da doutrina. O bobo despreza, mas o seu desprezo vem do ressentimento. Ele é o espirito  da lentidão. Como Zaratustra, pretende ultrapassar, superar. Mas superar significa para ele: ou fazer-se carregar( subir para os ombros do homem, e do próprio Zaratustra); ou, então saltar por cima. São os dois contra-sensos possíveis sobre o < Super-Homem>. 

Cristo(São Paulo e Buda) - 1º Ele representa um momento essencial  do niilismo: o da má consciência depois  do ressentimento judaico. Mas é sempre a mesma empresa de vingança e de inimizade contra a vida; Porque o amor cristão valoriza apenas os aspectos doentes e desolados da vida. Com a sua morte, Cristo parece torna-se independente do Deus judeu : torna-se universal e . Mas encontrou apenas um novo meio de julgar , de universalizar a condenação da vida , ao interiorizar a falta (má consciência). Cristo seria morto por nós, pelos nosso pecados! Esta é. pelo menos, a interpretação de São Paulo; e foi esta interpretação que levou a melhor  na igreja  e na História . O martírio de Cristo opõe-se, pois, ao de Dionísio: num caso, a vida é julgada  e deve expiar; no outro, ela é bastante justa por si mesma para justificar tudo. < Dionísio contra o Crucificado&gt 
- 2º Mas se procuramos, sob a interpretação paulista , qual era o tipo pessoal de Cristo, Advínhamos que Cristo pertence ao de uma  maneira completamente diferente. Ele é doce, alegre, não condena, indiferente a qualquer culpabilidade; apenas quer morrer, deseja a morte. Por isso, testemunha um grande avanço sobre São Paulo e já  representa o estádio supremo do niilismo, o do ultimo homem ou mesmo do homem que quer morrer:o estádio mais próximo da transmutação dionisíaca. Cristo é < o mais interpresante dos decadentes>, uma espécie  de  Buda. Ele torna possivel uma transmutação; deste ponto  de vista, a síntese de Dionísio e de Cristo torna-se ela própria possivel: < Dionísio-Crucificado> .

Dionísio- Sobre os diferentes aspectos de Dionísio,  1º em relação com Apolo: 2º em oposição com Sócrates;3º em contradição com Cristo; 4º em complementaridade com Ariana, cf. a exposição precedente da filosofia de Nietzsche e mais adiante, os textos.

Homens superiores - São múltiplos, mas testemunhas um mesmo empreendimento: depois da morte de Deus, substituir os valores divinos por valores humanos. Eles representam, pois, o devir da cultura , ou esforço para pôr o homem no lugar de Deus. Como o principio  de avaliação permanente o mesmo, como  a transmutação não é feita, eles pertencem plenamente ao niilismo e estão mais próximos do bobo de Zaratustra do que o próprio Zaratustra. São , , e não sabem rir, nem brincar nem dançar. Na ordem lógica, a sua processão é a seguinte:
1º O último papa: Sabe que Deus está morto, mas acredita que Deus se asfixiou a si mesmo, asfixiou-se de piedade, já não podendo suportar o seu amor pelos homens. O ultimo papa ficou sem senhor e, contudo, não é livre, vive de lembranças.
2º Os dois reis: Representam o movimento  da , que se propõe formar e erguer o homem, fazer um homem livre pelos meios mais violentos, mais constrangedores. Assim, há dois reis, um de esquerda para os meios, um de direita para o fim. Mas, antes como depois da morte de Deus , para os meios como para o fim, a propria moralidade dos costumes  degenera , edifica e seleciona ao  contrário, cai em proveito da (triunfo dos escravos). São os dois reis que conduzem o Burro, de que o conjunto  dos homens superiores farão o seu novo deus.
3º O mais ignóbil dos Homens: Foi ele que matou Deus, porque não suportava a sua piedade. Mas é sempre o velho homem, ainda mais covarde: em vez da má consciência de um Deus morto para ele, experimenta  a má consciência de um Deus morto por ele; em vez de piedade vinda de Deus, conhece  a piedade  vinda dos homens, a piedade da populaça, ainda mais suportável. É ele que dirige a litania do Burro e suscita o Falso .
4º O homem sanguesuga: Quis substituir  os valores divinos, a religião e até a moral pelo conhecimento.O conhecimento deve ser cientifico,exato, incisivo:pouco importa então que o seu objeto seja pequeno ou grande; o conhecimento exato da mais pequenas coisa substituirá a nossa crença nos valores vagos.Esta é a razão por que um homem dá o seu braço à sanguessuga,  e dá-se ´por tarefa  e por ideal conhecer  uma coisa pequeníssima: o cérebro da sanguessuga ( sem remontar às causa primeiras).Mas o homem da sanguessuga não sabe que o conhecimento é a própria sanguessuga e que toma o lugar da moral e da religião, perseguindo o mesmo fim delas: fazer uma incisão na vida, mutilar e julgar a vida.
5º O Mendigo volutuário: Renunciou ao próprio conhecimento. Apenas acredita na felicidade humana, procura  a felicidade na terra. Mas a felicidade humana por mais simples que seja, não se encontra mesmo entre  a populaça, animada pelo ressentimento e pela má consciência. A felicidade humana só se encontra entre as vacas.
6º O Encantador: É o homem de má consciência , que se persegue tanto sob o reinado de Deus como depois da morte de Deus. A má consciência é essencialmente comediante, exibicionista. Ela desempenha todos os papéis, mesmo o do ateu, mesmo o do poeta, mesmo o de Ariana. Mas mente e recrimina sempre. Ao dizer < é o meu erro>, ela quer suscitar a piedade, inspirar a própria culpabilidade àqueles que são fortes , envergonhar tudo o que é vivo, propagar o seu veneno.< A tua queixa contém uma armadilha!>
7º A Sombra viajante: É a actividade da cultura que, por parte, procurou realizar o seu fim ( o homem livre, selecionado e construído): sob o reino de Deus, depois da morte de Deus, no conhecimento , na felicidade,etc.Ela falhou o seu fim em toda a parte, porque este fim é também uma Sombra. Este fim, o Homem superior, é ele mesmo falhado, imperfeito. É a Sombra de Zaratustra, nada mais do que a sua sombra, que o segue por toda a parte, mas desaparece na duas horas importantes da Transmutação, Meia-Noite e Meio-Dia.
8º O Adivinho: Diz . Anuncia o último estádio do niilismo: o momento em que o homem, tendo medido a fragilidade do seu esforço para substituir Deus, preferirá já não querer tudo, de preferencia  a querer o nada.O adivinho anuncia, pois, o ultimo Homem, prefigurando o fim do niilismo, ele já mais longe do que os homens superiores. Mas o que lhe escapa é aquilo que está ainda além do último homem: o homem que quer morrer,o homem que quer seu próprio declínio. Com este, o niilismo culmina realmente, é vencido por si mesmo: a transmutação e o super-homem estão próximos.

Zaratustra ( e o Leão) - Zaratustra não é dionísio, mas apenas o seu profeta. Há duas maneiras de exprimir esta subordinação. Poderíamos dizer primeiro que Zaratustra se mantém no -não-. Sem Duvida, este Não já não é o do niilismo: é o - Não sagrado- do Leão. É a destruição de todos os valores estabelecidos, divinos e humanos, que compunham precisamente o niilismo. É o -Não- trans-niilista inerente à transmutação. Também Zaratustra parece ter acabado a sua tarefa ao mergulhar as suas  mãos na juba do Leão. Mas, na verdade, Zaratustra  não permanece no Não, mesmo sagrado e transmutante.Participa plenamente  da afirmação dionisíaca , ele é já  a ideia desta afirmação, a ideia  de Dionísio. Da mesma maneira que dionísio celebra os esponsais com Ariana no eterno Retorno, Zaratustra encontra a sua noiva no eterno Retorno. Da mesma maneira que Dionísio é o pai do Super-Homem, Zaratustra chama filho ao Super-Homem. No entanto, Zaratustra é ultrapassado pelos seus próprios filhos; e ele não passa de pretendente, não é o elemento constituinte do anel do Eterno Retorno. Produz menos o Super-Homem do que assegura esta produção no homem, criando todas as condições nas quais o homem se ultra-passa e nas quais o Leão se torna Criança.



Referência: DELEUZE, GILLES, 1925-. Nietzsche. São Paulo: Martins Fontes, 1985. 87 p. (Biblioteca básica de filosofia ; 16)

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Nota porque não sou Ateu.

Porque não sou Ateu!

Recebi em graça e espontaneidade fé em Cristo Jesus. Isto se  demonstrou ir além da compreensão racional. Dizer Sim a Jesus Cristo como o Senhor e salvador da humanidade. Me faz perceber que conhecer as doutrinas,e as várias religiões*(delas eu vi as faces de Deus), saber as histórias não bastam para o lado Místico, que O Cristo VIVO É. Ainda a fé e conversão são sempre e serão o maior milagre que pode acontecer para uma pessoa na terra, pois há vida cheia de falhas e equívocos estas serão até o leito da morte uma das essências do que é o Humano.
A superação da razão para  compreensão do sagrado. E do sim cego e desconcertante de Jesus Cristo é a dimensão oculta. Do homem que na verdade carece do vazio existencial. Falha por natureza. Assim a expressão desta fé, se revela nas atitudes e comportamentos, “nas suas obras”, mas todos os homens agem, então. Só Deus pode conhecer o coração e intenção verdadeira dos Homens. Então não se preocupe muito com seu irmão. Se não com você mesmo primeiro. “Ame teu próximo como a ti mesmo”.

O inexplicável de toda história de Jesus deixem que os outros sem fé, procurem suas “não-razões”. Enquanto isto aquele que com fé guardar a boa-nova para este será dado a compreender também fragmentos da História Revelada. “O justo viverá pela Fé.”

Existem sim forças ocultas aos sentidos dos homens que regem e cuidam da realidade.
Cabe ao homem direcionar suas intenções.
E não culpar Deus. 
Pela suas má escolha.

* Religião: Busca humana de dizer e transmitir o Sagrado/Mistico.
*Todas as Religiões(ou as que fundamentam tantas outras) me apresentaram uma coisa Única: a fragilidade Humana.
 e todas elas Uma face de Deus.

*Hinduísmo- 1500 a.C
*Budismo.-560 a.C
*Confucionismo.-551 a.C
*Taoismo.-VI séc. a.C
*Xintoísmo.-500 d.C
*Religiões Africanas.:"Segundo a tradição, os deuses do "candomblé" têm origem nos ancestrais dos clãs africanos, divinizados há mais de 5 000 anos."
*Judaísmo.-1800 a.C
*Islã.-570 d. C
*Cristianismo.- a cerca de 2 mil anos permeia a História.



Referencia: GAARDER, Jostein; HELLERN, Victor; NOTAKER, Henry. O livro das religiões. São Paulo: Companhia de Bolso, 2005. 335 p.